Esta semana fiquei sem palavras.
E quem me conhece sabe que isso não acontece muitas vezes.
Recebi uma mensagem de alguém que admiro profundamente.
Uma mensagem simples. Poucas linhas. Nada de extraordinário para quem a pudesse ler de fora.
Mas para mim foi como se alguém tivesse aberto uma janela que eu nem sabia que existia.
Ao longo da vida habituamo-nos a desempenhar papéis.
Somos empresários. Somos pais. Somos líderes. Somos colegas. Somos amigos.
Vivemos rodeados de objetivos, metas, responsabilidades e expectativas.
E sem nos apercebermos começamos a acreditar que o nosso valor está naquilo que fazemos.
No cargo que ocupamos. No dinheiro que geramos. Nos resultados que apresentamos. Nos projetos que construímos.
Até que um dia alguém nos fala de outra coisa.
Não fala dos nossos resultados.
Não fala das nossas conquistas.
Fala da nossa paixão.
Da nossa energia.
Da nossa bondade.
Do nosso sorriso.
E, de repente, ficamos sem saber o que responder.
Foi exatamente isso que me aconteceu.
Porque quando alguém que admiramos profundamente nos descreve através das qualidades que mais raramente valorizamos em nós próprios, algo dentro de nós muda.
Não é vaidade.
É reconhecimento.
É a sensação rara de sermos vistos para além dos títulos, das funções ou das máscaras que usamos diariamente.
Vivemos numa época onde todos procuram ser notados.
Nas redes sociais. Nas empresas. Na política. Na comunicação.
Mas ser notado não é a mesma coisa que ser visto.
Ser notado é chamar a atenção.
Ser visto é ser compreendido.
E talvez seja por isso que aquelas poucas palavras me tenham abalado tanto.
Porque me fizeram recordar algo que tinha esquecido.
Que aquilo que deixamos nos outros vale mais do que aquilo que acumulamos para nós.
No fim da vida, dificilmente alguém perguntará quantos contratos assinámos, quantos seguidores tivemos ou quantos prémios conquistámos.
Mas talvez alguém se recorde de como o fizemos sentir.
Da palavra certa no momento certo.
Do abraço inesperado.
Da confiança oferecida quando mais era necessária.
Da presença.
Da humanidade.
Talvez o verdadeiro legado de uma vida seja isso.
Não aquilo que construímos.
Mas aquilo que deixamos dentro das pessoas que tivemos a sorte de encontrar pelo caminho.
Esta semana percebi outra coisa.
Muitas vezes passamos anos a agradecer mentalmente a pessoas importantes da nossa vida sem nunca lhes dizer nada.
Assumimos que sabem.
Assumimos que não é necessário.
Assumimos que haverá tempo.
Mas nem sempre há.
Por isso, se há alguém que marcou o seu percurso, que o ajudou a crescer, que o inspirou ou simplesmente que acreditou em si quando mais ninguém acreditava, talvez hoje seja um bom dia para lhe dizer.
Porque há palavras que chegam tarde.
Mas também há palavras que chegam exatamente a tempo.
E essas podem mudar uma vida. Ou duas.

Empreendedor no setor da saúde visual, fundador da Eyephoria, Co-Fundador iCare Group, e do projeto Visionnaire Eyewear Concierge. Defensor da ótica independente com propósito, da distribuição justa e do cuidado visual centrado nas pessoas














