O Ininputável e a Jornalista

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Donald Trump não deixa de surpreender pelas suas acções de “Republicano-Ditador” a quem os americanos ofereceram o lugar de pessoa mais poderosa do mundo, e que ele aproveita no pior dos sentidos. A notícia não é nova. Li-a no El País no princípio da semana e o Expresso refere-a na edição On-line com o filme do acontecimento.

Desta vez, Trump aceitou ser entrevistado pela jornalista Kristen Welker da cadeia de televisão NBC. Aproveitou a oportunidade para anunciar o que parecia inconcretizável num regime de Direito Democrático, defendendo a sua ideia de propor a criação de um fundo contra a “politização da Justiça”, dotado de 1776 milhões de dólares para “compensar aqueles que foram investigados pelo Departamento de Justiça pelo simples facto de o apoiarem”!…

(Referia-se aos bandidos que, incentivados por si, atacaram o Capitólio destruindo salões e mobiliário, na defesa da alegada vitória de Trump nas eleições que perdeu contra Joe Biden a 6 de Janeiro de 2021, assegurando ter havido fraude eleitoral. Neste assalto houve cinco mortos: quatro dos invasores e um polícia).

Cartune de Onofre Varela


O citado fundo mereceu críticas do Departamento de Justiça e do próprio Partido Republicano.

Perante afirmações tão descabidas a jornalista recordou-o do facto, já por várias vezes demonstrado, de não terem sido encontrados quaisquer indícios de fraude eleitoral nas dezenas de buscas judiciais que Trump ordenou.

A partir deste ponto da entrevista, Trump começou a dar sinais de irritação, gritando para a jornalista: “Há mais provas do que nunca!” Kristen Welker lembrou a Trump que os funcionários eleitorais reconheceram não haver qualquer fraude.

Totalmente fora de si, deixando vir à tona a sua verdadeira personalidade narcísica de vaidoso-incurável, arrogante e desrespeitador de tudo e de todos (principalmente de mulheres) iniciou o seu habitual discurso de acusação a toda a imprensa, alegando que todos os jornalistas são corruptos.

“Para ser justo, eu não sou corrupta”, alegou Kristen. Foi a gota que fez transbordar a fossa céptica que ele ornamenta com cabelo dourado.

Enfurecido, aquele que preside à mais forte potência mundial, desceu ao pé descalço que realmente é, como filho de imigrante alemão (que supostamente subiu na vida por acções menos correctas em negócio de ouro) e vociferou: “Sim, és corrupta ou estúpida. Sabes que as eleições [de 2020] foram fraudulentas. O teu jornal sabe que sim. Somos um país do terceiro mundo.” (Nada de mais verdadeiro se entendermos que fala dos EUA sob a sua presidência!…).

Usando da sua agressividade costumeira acusou as emissoras de televisão de serem falsas. Depois arrancou o microfone da lapela e abandonou a entrevista.

É o modo espectacular que Donald Trump tem de se relacionar com jornalistas quando confrontado com perguntas cuja resposta não lhe convém. É comum Trump insultar jornalistas (principalmente se forem mulheres) humilhando-as e ofendendo-as quando colocado perante perguntas que considera incómodas. Recentemente uma jornalista perguntou-lhe qual foi a sua relação com Jeffrey Epstein, tendo levado como resposta: “Cala-te, porca”.

É isto que preside aos EUA!…

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