Balde de água fria em Houston: Portugal estreia-se no Mundial com empate frente à RD Congo

Seleção Nacional não conseguiu ir além de um empate a uma bola (1-1) frente à República Democrática do Congo, no jogo de estreia do Grupo K do Campeonato do Mundo de 2026. Num duelo disputado no Houston Stadium, a eficácia africana nos descontos da primeira parte travou o fulgor inicial da equipa das quinas. Martínez admitiu erros táticos; Cancelo foi mais duro: "Isto sabe-nos a derrota."

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Portugal estreou-se no Mundial 2026 com um empate a um golo frente à República Democrática do Congo, no NRG Stadium de Houston, em jogo da primeira jornada do Grupo K. Um resultado que ficou aquém das expectativas e que levanta as primeiras interrogações sobre a campanha portuguesa na competição.

Entrada forte e distração fatal: o golo que mudou tudo

Portugal entrou em campo com o estatuto de favorito e não tardou a justificá-lo. Logo aos 6 minutos, o jovem médio João Neves inaugurou o marcador, aproveitando um cruzamento de Pedro Neto para desviar de cabeça para o fundo das redes, correspondendo da melhor forma à forte pressão inicial exercida pelos comandados de Roberto Martínez.

João Neves, o mais baixo em campo pela seleção portuguesa, inaugura o marcador ao desviar de cabeça para o fundo das redes o cruzamento de Pedro Neto. Foto: Divulgação/FIFA

A selecção das quinas entrou forte, controlou e dominou territorialmente e chegou a construir o jogo com muita qualidade e posse de bola. Os números espelham esse domínio: 80% de posse. João Neves foi o homem mais influente, para além do golo marcado com o único remate enquadrado que tentou. Tudo parecia caminhar para uma vantagem tranquila ao intervalo, contudo, no último suspiro da primeira parte, aos 45′+4, Yoane Wissa repôs a igualdade a favor dos Leopardos da RD Congo, atirando Portugal para a realidade. O avançado do Newcastle aproveitou um cruzamento de Arthur Masuaku que Diogo Costa optou por não sair a defender — uma decisão que pode gerar polémica —, surgindo completamente sem marcação numa evidente falha da defesa portuguesa. Um golo com sabor histórico: Wissa tornou-se o primeiro marcador da RD Congo numa fase final de um Campeonato do Mundo.

Yoane Wissa, da República Democrática do Congo, marca o primeiro e único golo da sua equipa. Foto de Molly Darlington / FIFA

No cômputo geral da primeira parte, Portugal mostrou-se demasiado cauteloso, sem conseguir criar o “caos” necessário para desorganizar a defesa congolesa. O jogo foi ficando cada vez mais lento, sem capacidade para fazer o um para um, num campo que estava claramente “inclinado”: apenas três ataques pelo lado direito contra 17 pelo lado esquerdo, uma unilateralidade que a RD Congo leu e aproveitou com facilidade. Os Leopardos jogaram em bloco baixo, compactos e disciplinados, apostando nas transições rápidas e nas bolas paradas — precisamente as situações em que Portugal mostrou mais fragilidades.

Segunda parte de paragens e sem soluções

Para o segundo tempo, a lição era clara: mais profundidade, mais utilização das alas, maior velocidade de circulação e, acima de tudo, conseguir entrar no último terço com critério e perigo real. Portugal precisava de ser outra equipa.

Roberto Martínez tentou agitar a frente de ataque com a entrada de Francisco Conceição (que substituiu Bernardo Silva ao intervalo) mas continuou sem encontrar o caminho para o golo. Portugal instalou-se no meio-campo adversário, mas esbarrou na coesão da barreira defensiva delineada pela equipa congolesa e no jogo muito faltoso que quebrou o ritmo da partida. Rafael Leão (71″), Nelson Semedo (72″) e Gonçalo Ramos (83″) também foram lançados a jogo mas as alterações continuaram sem surtir efeito pois apesar deste último esforço, o resultado não sofreu mais alterações até ao apito final.

A nível disciplinar, o encontro acabou por ser tenso, com Bernardo Silva (13″), Nélson Semedo (88″) e Tomás Araújo (90″+2) a receberem o cartão amarelo.

Entre os principais pontos fortes dos congoleses estão a organização defensiva, a disciplina táctica e a eficiência nos contra-ataques, com capacidade para explorar transições rápidas aproveitando a velocidade e a qualidade técnica dos seus extremos. E foi exatamente isso que se viu em Houston. Apesar de cederem a posse, os congoleses ganharam 55 % dos confrontos diretos e lideraram nas recuperações de bola, sinal de como fecharam filas nas segundas bolas e saíram a jogar antes de Portugal se reorganizar.

A homenagem a Diogo Jota

O jogo ficou também marcado por um momento de grande emoção. Os jogadores portugueses usaram pulseiras em homenagem a Diogo Jota, falecido num acidente de automóvel em Julho de 2025. A imagem do antigo avançado foi exibida nos ecrãs do Houston Stadium durante o hino nacional, perante o olhar emocionado dos seus pais, presentes nas bancadas.

Homenagem a Diogo Jota durante o hino nacional de Portugal em Houston – Foto: Reprodução/TV

O que disseram após o apito final

Roberto Martínez assumiu os erros mas elogiou a atitude da equipa. “Entrámos muito bem no jogo. Marcar o golo mudou um pouco a falta de chegada à área. Começámos a procurar só manter a bola e isso deu uma oportunidade à RD Congo de reagrupar e de recomeçar“, admitiu o selecionador, acrescentando: “Não gostámos do desempenho, mas gostei muito da atitude dos jogadores até ao último segundo.” 

João Cancelo foi mais direto e mais crítico. “Tivemos muita posse mas não conseguimos criar oportunidades claras de golo. É um empate que sabe a pouco. Devíamos ter feito um jogo melhor. Precipitámo-nos em alguns momentos e isso deu algumas transições ao adversário, que veio com a lição bem estudada. Isto sabe-nos a derrota. A eles quase como se fosse uma vitória“, afirmou o lateral direito.

João Neves, autor do único golo português, não escondeu a deceção. “Estou um pouco em baixo pelo resultado“, disse o médio do Paris Saint-Germain.

Joao Neves com o troféu “Michelob Ultra Player of the Match”. Foto de Julian Finney – FIFA/FIFA

Contas do Grupo K e Próximos Compromissos

Com este desfecho, Portugal e a RD Congo somam um ponto cada na tabela classificativa do Grupo K. Relembramos que o agrupamento fica completo com as seleções da Colômbia e do Uzbequistão (18 de Junho às 3:00).

Portugal mantém hipóteses de apuramento, mas terá agora de retificar este tropeção pois não pode dar mais pontos por garantidos. As Quinas encerram a fase de grupos frente à Colômbia, em Miami Gardens, num encontro que poderá ser decisivo para a liderança do Grupo K. Para já, o empate frente à RD Congo serve de aviso: neste Mundial, não há adversários fáceis.

O calendário da equipa das quinas define os seguintes compromissos:
Portugal vs. Uzbequistão: 23 de Junho de 2026, às 18:00 (Hora de Portugal Continental), no Houston Stadium, Texas.
Colômbia vs. Portugal: 28 de Junho de 2026, às 00:30 (Hora de Portugal Continental), no Miami Stadium, Flórida.

 

 

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