Os meus pequenos crescem, mas nunca deixam de ser os meus Meninos – Por Ana Costa

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Sou Professora do 1º ciclo do ensino básico há alguns anos, a profissão com que sempre sonhei e há uma magia especial nesta vida que escolhi.

É uma jornada que vai muito mais além de transmitir conhecimento ou aplicar avaliações, sendo que esta parte burocrática é mesmo a pior. Envolve guiar, inspirar e, acima de tudo, ajudar a moldar o futuro, que se espera sempre ser grandioso.

Ao longo de todos estes anos que dedico ao ensino, um dos momentos mais gratificantes é, sem dúvida, reencontrar os meus antigos alunos. Meninos e meninas que, hoje, são adultos com vidas construídas, mas que, para mim, nunca deixam de ser aqueles pequenos que cresceram comigo, cheios de curiosidade e energia e que um dia ocuparam um lugar da minha sala de aula.

Esta semana fiz anos e recebi alguns presentes, mas os melhores foram, sem dúvida, as visitas dos meus meninos e meninas, desde os mais novos, com 12 anos, até aos mais velhos, com 26 e mais (não refiro, só para não me sentir “velha”).

Cada visita destes antigos alunos traz consigo uma onda de memórias. Quando vejo um rosto familiar entrar na sala, é impossível não ser transportada para aquele tempo em que lhes ensinava a ler, a fazer contas, ou a interpretar o mundo à sua volta. Adoro recordar coisas que vivemos e contar aos meninos que hoje estão comigo e ouvem estas histórias de olhos bem abertos.

Lembro-me das suas expressões (e eles das minhas) enquanto tentavam compreender algum conceito mais complexo, das gargalhadas, das brincadeiras e piadas, ou até daquele momento em que me fizeram perguntas tão desafiadoras que eu própria tive de aprender para poder responder. Esses instantes, aparentemente pequenos, são os que formam o alicerce da relação entre professora e aluno. São estas recordações e ligações que me fazem sorrir, abraçar e querer dar colo.

O que torna estes reencontros tão especiais é perceber que, de alguma forma, o meu trabalho como professora deixou marcas positivas na vida daqueles que ensinei. E mais uma vez isso faz o meu coração sorrir. Estas visitas são acompanhadas de beijinhos e abraços, recheadas de histórias sobre como a vida os levou por caminhos diferentes, sobre os desafios que enfrentaram e as conquistas que alcançaram. Gosto quando me contam a sua vida, quando recordam alguns momentos que vivemos, quem recorde alguma conversa específica ou uma palavra de encorajamento e como isso foi decisivo num momento crucial. E de facto, para mim, é uma das maiores recompensas da minha
profissão. Olhar para estes adultos que foram meus meninos, é ter a certeza que o caminho está a ser bem feito…

Ensinar não é uma tarefa de resultados imediatos. Os frutos do meu trabalho demoram anos a amadurecer, e nem sempre conseguimos vê-los florescer. Por isso, quando um antigo aluno regressa, é como se recebêssemos a confirmação de que, de facto, deixámos um impacto. Eles crescem, tornam-se engenheiros, médicos, artistas, empresários ou até professores, mas o vínculo que criámos permanece intacto. E é por isso que serão sempre os meus meninos e meninas.

Devo dizer que, em alguns casos, sinto que aprendi tanto com os meus alunos quanto eles aprenderam comigo. Cada turma é única, cada aluno traz consigo uma história, uma visão de mundo, uma forma de ser. Ensinar é, acima de tudo, uma troca. Nós damos conhecimento, mas recebemos em troca a oportunidade de ver o mundo através de olhos novos, curiosos e sinceros. E isso é novo, todos os dias!

Não posso negar que ser professora é um desafio. Há dias difíceis, momentos de dúvida e, por vezes, até desânimo. Surgem dúvidas, muitas dúvidas… Mas é em momentos como estes reencontros, que capto o verdadeiro significado do que faço. A educação é um processo de construção, e cada pequeno gesto conta: o apoio dado num dia de dificuldade, a paciência para explicar algo pela terceira ou quarta vez, o sorriso ao celebrar uma pequena vitória. O abraço e o colo… Tudo isso constrói pontes que resistem ao tempo.

Acho que, para mim, ensinar nunca foi apenas uma profissão; é uma missão, uma forma de contribuir para o futuro. Uma forma de semear e deixar crescer. Quando estes meninos e meninas regressam, são a prova viva de que este trabalho vale a pena. Ver que seguiram em frente, que cresceram e construíram as suas vidas, mas que guardaram no coração um pedaço do que viveram comigo, saber que vivo num cantinho destes corações (e eles no meu), é algo que não tem preço.

O tempo pode passar, os rostos podem mudar, mas os laços criados no ambiente de sala de aula são eternos. Cada visita de um antigo aluno é uma lembrança de que, enquanto professora, planto sementes que podem levar anos a dar fruto, mas que, quando florescem, fazem-nos perceber que o nosso trabalho deixa marcas profundas e duradouras.

E assim, entre sorrisos, histórias e abraços reencontrados, continuo a sentir a mesma alegria de sempre ao ver os meus “pequenos” adultos. Afinal, enquanto professora, aprendemos que o verdadeiro sucesso da nossa profissão não se mede apenas em notas ou diplomas, mas na transformação que ajudamos a promover na vida de cada aluno.

 Enquanto escrevo este artigo, sorrio, e sinto o meu coração quentinho só de pensar que passados anos, eles têm vontade de voltar e eu lhes posso dar colo e mimo, como quando eram pequenos.

 

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