António José Seguro – Novo Estilo no Palácio de Belém?

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O povo português vai sentir a diferença. Porque substituir Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República, não é fácil. O agora ex- Presidente da República veio dar ao cargo uma leveza e informalidade que também surpreendeu. E desagradou imenso a muita gente que exige formalismo máximo na função. Naturalmente, e como tudo na vida, este estilo “popular” (não populista!), jamais seria consensual. Deu à Presidência da República um carácter de proximidade, nunca antes feito por outro. A imagem austera e distante mudou com Marcelo.
Andar na rua como um cidadão normal, por exemplo, ir à praia e entabular conversas com os veraneantes, partilhar diálogo adequado com os jovens, ir às compras, ao multibanco ou almoçar sozinho e, principalmente, incentivar a realização de “selfies” vai, com certeza, mudar com o novo Presidente da República.

Marcelo é um comunicador nato. E adora falar. É assim como pessoa – quem o conhece sabe  – e como político. Na Presidência da República, continuou fiel a si próprio – falava sempre, sobre tudo. Foi a todos os lugares. Abraçava, afagava. Esta faceta incomodou alguns governantes. Depois, habituaram-se. Marcelo não sabe ser diferente.

Mas também revelou-se um homem de diálogo e de pontes. Nem sempre o conseguiu. E foi criticado, o que é normal em política.
A forma como construiu uma relação respeitosa e afável com a comunicação social, não é algo de somenos em tempos de pré- autoritarismo, fuga ao diálogo, crítica às perguntas e ódio latente aos jornalistas.

A empatia do Presidentes da República, é importante. Os cidadãos necessitam desse conforto. Não esqueçamos, mesmo que as campanhas eleitorais demonstrem o contrário, não cabe ao Presidente resolver os problemas tão importantes que afetam Portugal, sob o ponto de vista executivo – habitação, saúde, educação, emprego e segurança, entre muitos outros. Exerce uma magistratura de influência, sim. Pode e deve dizer ao governo que cumpra o que prometeu. E, em última instância, dissolver a Assembleia quando entender  a situação como insustentável. Mas, essencialmente, permitir que a governação flua. Para haver estabilidade.

E que esperar de António José Seguro? O tempo o dirá, naturalmente, mas diferente de Marcelo Rebelo de Sousa será.
Porém, pela sua campanha e pelo seu discurso, parece ser um homem de bom-senso, ponderação, diálogo e estabilidade. No entanto, lendo as entrelinhas do seu discurso de tomada de posse, parece querer intervir, à sua maneira, nos processos governativos – enorme diferença em relação a Marcelo – ser mais interventivo, sóbrio, mas interventivo. Este lado político pode criar alguns dissabores ao Governo. Orçamentos plurianuais e estar a par de todas as decisões tomadas, agradará a Luís Montenegro? É uma novidade em funções presidenciais. Que impacto causará? E os amplos consensos com todos os partidos para as reformas essenciais? Funcionará?

Uma certeza existe e Seguro afirmou-o há muito – o Pacote Laboral tem de ser revisto, caso contrário, veta. Não vale a pena demonstrar surpresas em decisão tão clara.

O novo Presidente da República não vai ter mandato fácil. A realidade da Saúde e da Habitação. A polarização partidária (ou ideológica). A entrada de Passos Coelho na oposição ao Governo, o estilo combativo de uma extrema direita representativa. A relação com Donald Trump e os gravíssimos conflitos internacionais, as guerras. Todos estes aspetos levam a que a tarefa de Seguro venha a ser muito difícil. Com particularidades muito diferentes das que Marcelo Rebelo de Sousa teve de enfrentar.

Portugal precisa de reformas. É urgente concretizá-las. Marcelo falava, para dentro e para fora, para cima e para baixo, às vezes só para não estar calado ; Seguro, provavelmente, terá outro tipo de postura. Aguardemos. Promete ser mais incisivo. Conseguirá?

O Cidadão deseja a António José Seguro um bom mandato e que as decisões que tome sejam sempre na defesa da Constituição da República e para o bem de Portugal e dos portugueses. Nunca por estranhas agendas que nada dizem às pessoas.


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