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Sábado, Dezembro 6, 2025

Balsemão – A Liberdade de Imprensa perdeu um grande aliado

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“Ou se democratiza a sociedade para conseguir uma informação livre ou se luta já por uma informação livre para atingir a democratização.” – Francisco Pinto Balsemão, 1971.

A partida de Francisco Pinto Balsemão deixa um vazio na luta pela liberdade de imprensa. O lema de grande parte da sua vida deverá ser sempre lembrado – pelos jornalistas, políticos democratas e cidadãos em geral.

Numa época em que, de forma consciente, por ignorância, manipulação ou ressabiamento, há quem peça a “todos os santos” o regresso da Censura e do autoritarismo repressivo, tecendo loas a ditadores, é importante que seja lembrada a luta de Balsemão pela liberdade de imprensa. Juntamente, claro, com os seus companheiros nesse trajeto – Sá Carneiro,Pinto Leite, Mota Amaral, Magalhães Mota e Miller Guerra.

Foi a proposta da Lei de Imprensa, apresentada por Balsemão e Sá Carneiro, em 1970, que fez o primeiro grande rombo na famigerada “Primavera Marcelista”.

Convencidos de que Marcelo Caetano queria mesmo democratizar o país, apresentaram uma lei em que, entre outras medidas, faziam parte a extinção da  Censura aos jornais (exceto para as notícias referentes à Guerra Colonial), livre formação de empresas jornalísticas, liberdade de investigação e difusão de notícias, fim dos julgamentos dos “crimes” de liberdade de imprensa por “tribunais especiais”, formação dos Conselhos de Redação e elaboração de um Código Deontológico dos Jornalistas. A par com cerca de cem alterações à Constituição de 1933, focadas, essencialmente, nos Direitos, Liberdade e Garantias.

À luz da atualidade, parece fácil e simples. Mas não foi. De tal modo que os deputados da chamada Ala Liberal ( pretendiam passar da ditadura à democracia numa transição pacífica), abandonaram o Parlamento ( Assembleia Nacional) e passaram a ter a PIDE/DGS à porta.

Balsemão foi um dos pilares da futura liberdade de expressão. Longe de ser um “perigoso” militante da esquerda revolucionária, era apelidado, mesmo assim, pela extrema-direita da época, como “Balse- Mao”. As propositadas “confusões ideológicas” de alguns já vêm de longe…

Lembrar Francisco Pinto Balsemão é, pois, imprescindível para saber “quanto custa a liberdade“. Demonstrar às gerações de hoje que ser livre e poder expressar a opinião não é um bem imutável. Pode perder-se a qualquer momento e restaurá-lo é muito difícil. 

Quando cito Balsemão, refiro-me ao homem dos jornais, da informação e da “liberdade de pensar”. Nunca à sua vida pessoal, empresarial e, muito menos, hábitos de vida. 

Do homem que, em janeiro de 1973 funda e dirige o Expresso ( foi seu diretor de 1973 a 1980). A ditadura já agonizava, mas as dificuldades de tornear a Censura e a PIDE/DGS mantinham-se. Um jornal de qualidade, diferente da imprensa panfletária da altura. Só alguém com coragem poderia encetar esta forma progressista de informar, tal como  permitir opinião a todos os setores da sociedade.

O seu percurso como Primeiro Ministro de Portugal (foi fundador do PPD, mais tarde PSD, e seu militante número 1), também não viveu dias fácéis. Recordemos que sucedeu a Sá carneiro, após a morte deste. E o PS, de Mário Soares, ia ganhando cada vez mais fôlego na oposição. Dirigiu os destinos de Portugal entre janeiro de 1981 e junho de 1983

Fica o exemplo de quem trocou um vida confortável pela conquista da liberdade. O jornalismo, em sentido lato, perdeu um dos seus mais acérrimos defensores.

O Cidadão endereça os pêsames à familia e amigos, ao Expresso, à SIC e às outras marcas do seu grupo empresarial.

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