Estaremos a poupar, para ficarmos cada vez mais pobres? – Por João Rodrigues

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A mudança da estrutura etária sobre a qual tenho escrito nestas minhas crónicas, com uma crescente população mais idosa, para além de muitas outras consequências, a que também me tenho referido, traz desafios enormes à sustentabilidade das pensões e reforça a importância da poupança privada para a reforma.

No estudo efetuado à literacia financeira dos portugueses, em 2020, apenas 9 % referiram que investiam em fundos de investimento, obrigações ou ações. Muito menos do que os 15 % que afirmaram guardarem dinheiro em casa ou do que os 33 % que fizeram depósitos a prazo e, ainda, muito menos do que os 58 % que deixaram, uma parte da poupança, em depósitos à ordem.

É bem possível, que só os primeiros, tenham sido aqueles que não ficaram mais pobres, apesar da existência das suas poupanças.

Fácil é concluir que, se os juros líquidos, portanto após impostos, conseguidos através da aplicação das poupanças, foram inferiores à inflação, a poupança, depois de adicionados os juros, em termos reais, diminuiu. Isto é, o seu montante de poupança, apesar dos juros que se receberam, não conseguem compensar a subida dos preços que, entretanto, ocorreu… Se esta situação se repetir, ao longo de uma vida…

Não espantará ninguém, saber que há estudos que comprovam, que a grande maioria dos portugueses, não está disposta a correr riscos financeiros, o que reforça a grande necessidade de levarmos muito a sério, a promoção da educação financeira. Esta formação deve também incluir a Escola, desde cedo, mas também deve ser orientada para todos aqueles que estão numa fase da vida, que lhes permite fazerem as suas poupanças e que necessitam que as suas poupanças gerem, de facto, rendimentos reais.

Educação financeira, a este nível, é conhecer as diversas alternativas existentes para aplicar as poupanças, as suas caraterísticas e, muito importante, os seus riscos. A educação financeira, permite questionar, de forma adequada, quem nos faz a oferta de produtos financeiros com supostas boas rentabilidades e sobretudo facilita, ao nosso interlocutor, conhecer melhor o nosso perfil de investidor e por consequência a construção das soluções, que melhor se adequam.

Basicamente, a educação financeira permite saber mais, para se tomarem melhores decisões, questionando e compreendendo melhor, as diversas soluções existentes, que são cada vez mais complexas.

Caro leitor, apesar do que expus nesta minha crónica, ainda assim, concluo que o seu perfil de investidor, é de facto muito importante e não tenho dúvidas, que caso seja daquelas pessoas que dorme mal porque tem 500 euros, investidos em algum produto de risco, o melhor mesmo, era não ter feito esse investimento. Julgo, no entanto, que melhorando os níveis de literacia financeira, provavelmente, passará a dormir melhor.

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