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Domingo, Fevereiro 15, 2026

Carta ao Pai Natal

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“Querido Pai Natal,

Eu vou aproveitar esta época natalícia para pedir-te vários presentes para o meu querido país.

Portugal é um país adorável, que tem tudo, que uma pessoa pode desejar: gente bonita, boa comida, muito Sol, mar, paisagens magníficas, as quatro estações do ano, entre outras coisas. Mas, infelizmente “não há bela sem senão” – é muito mal frequentado: muitos corruptos e gente mal-educada.

Basta ver os casos de corrupção na política portuguesa, de quem exerce cargos públicos, que são de pôr os cabelos em pé a qualquer português, minimamente informado e preocupado com o que se passa à sua volta.

Há um certo espírito português que barafusta e vocifera por mudança, mas infelizmente está sempre demasiado ocupado com a sua vida e, entende, os casos de corrupção na política portuguesa como uma fatalidade. E, chega ao ponto de naturalizar a corrupção.

A vida política portuguesa precisa de ter sentido e valores. A nossa democracia está doente e precisa de uma sociedade civil, sem medo, sem autocensura, atenta, interventiva informada.

Os cidadãos mais parecem nem-nem (nem querem saber nem lutam). Einstein dizia: “o esforço desperta responsabilidade e é a maior contribuição para todos nós”.

A falta de educação dos portugueses é gritante, assim como, a falta de civismo e de bons modos. A maioria dos portugueses precisa de um livro de instruções como se deve comportar em sociedade e perante os outros. Julgam que só tem direitos e esquecem as obrigações.


Pai Natal, peço-te o seguinte:


A nível de Estado

– Mudes o funcionamento da nossa democracia.

– Mandes fazer uma auditoria à nossa democracia: era importante os portugueses saberem quanto custa a nossa democracia.

– A justiça seja igual para todos, célere e consequente.

– Emagreças brutalmente a classe política, acabes com mordomias, pensões vitalícias e, um Estado gastador e gordo.


A nível de Partidos

– Separes os partidos do Governo.

– Os partidos parecem sociedades anónimas (S.A.), que têm um Conselho de Administração sediado em Lisboa, que é a direcção do partido e depois as diversas filiais nas capitais de distrito (distritais), que por sua vez têm as sucursais e as sub-sucursais (concelhias e secções). Os partidos não podem ser uma agência de empregos. Acaba com isto.


A nível de Sistema Político

– É preciso uma nova política para o séc. XXI, demarcando-se dos vícios da velha política.

– É preciso políticas baratas. Actualmente a política fica muito cara ao erário público e aos portugueses: campanhas eleitorais e financiamento partidário.

– É preciso uma filosofia política: falar verdade. A verdade desaparece no meio da poeira.

– Haja muitos parresiastas.


A nível de Educação

– A educação tem que se ensinar em casa e nos bancos da escola. A escola não se pode substituir aos pais.

– Explica aos portugueses que ter dinheiro não é tudo na vida, é importante ter princípios e saber estar. Estou cansado de novos-ricos.

– Explica que ter instrução é diferente de educação. Estou cansado de novos-ricos intelectuais (doutores).

– Explica aos pais que nem todos os filhos têm que ter uma licenciatura para serem felizes e singrarem na vida. O que é necessário é terem uma profissão, seja ela qual for, que seja reconhecida socialmente.

– É tão importante ser técnico da construção civil, ou técnico de saúde, como técnico de jardinagem ou técnico de ensino.

– Chama à atenção dos portugueses para serem menos invejosos, ressentidos e queixinhas.

– Chama à atenção dos portugueses que procurem fazer mais e falar menos. Estão sempre à espera que alguém faça por eles.


A nível da imprensa

– Portugal precisa de uma imprensa livre e independente do poder político, assim como, do poder económico.

– A minha preocupação é ter cidadãos bem informados e atentos ao que se passa em país.

– É preciso verdadeiro jornalismo, isento, transparente, plural e informativo.

– Acabar com o jornalismo independente de qualquer tipo de poderes é acabar com a democracia.


A nível Local

– Gostava que Gaia com Luís Filipe Menezes voltasse a estar na senda do êxito.

– Gostava que Gaia deixasse de ser falada por múltiplas razões com a justiça e fosse um município que esteja na vanguarda do progresso e do futuro.

– Precisamos de uma cidade de Gaia mais criativa, solidária, sem medo, sem egoísmo, educada e inovadora.

– É preciso definir regras e criar obrigações de transparência. As regras de conduta serão um sinal que não voltará a acontecer o que se passou nos últimos 12 anos – nepotismo, fraude, amiguismo, corrupção, abuso de poder, suborno.

– Gaia tem que passar pela honestidade, excelência, mérito.


Pai Natal,

este ano, só te peço isto, acho que não é pouco e, não sei se consegues satisfazer os meus desejos. Eu apesar da minha idade, ainda quero acreditar no Pai Natal.

Portugal precisa de uma revolução pacífica de ideias e de mentalidades, com uma opinião pública atenta, interventiva, inteligente. Isso, infelizmente não se faz de um dia para o outro.

Os portugueses deixaram de acreditar e acham que não chega substituir uns dirigentes por outros.

É preciso alterar o sistema político que deixou de funcionar. O sistema político gera défices de todo o tipo e bloqueios sectários.

Pai Natal,

gostava que dissesses de uma maneira consciente aos políticos: o país precisa de se reiniciar como se faz num computador.

Pai Natal,

gostava que dissesses aos portugueses que sejam mais educados e respeitem os outros. E, a nossa liberdade acaba quando interfere com a liberdade dos outros. Que os portugueses liguem mais ao ser do que ao ter.

Por fim, os portugueses deixem de ser zumbi do consumo e da comunicação e passem a ser cidadãos emancipados.


Obrigado Pai Natal e até para o ano.

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