Todos nós temos noção do quão importante é a liberdade. Mas será que temos mesmo? Na minha opinião, não.
De 1926 a 1974 os portugueses sobreviveram, porque o que sofremos não é viver, a um regime autoritário onde a liberdade individual e coletiva não existia. Durante 48 anos, centenas e centenas de portugueses e portuguesas, que eram contra o regime, foram presos e torturados meses e meses a fio nas temidas prisões da PIDE. Uma guerra mortífera dizimou a moral nacional e ceifou a vida de milhares de jovens cidadãos; civis e soldados. Tendo a realidade de ser neto de uma avó que é retornada de Angola, sei bem o que estes nossos ex-colonos sofreram, quer nas ex-colónias onde a guerra amedrontava a todos, quer em Portugal onde a miséria e pobreza os seguiam dia a dia.
Agora, a questão que se coloca é a seguinte: “Após estes 52 anos do fim do regime sangrento, o que vemos refletido na nossa sociedade?” Bem, a meu ver, alguns evoluíram democraticamente, e criaram pensamentos liberais e igualitários, enquanto outros vivem agarrados, e fascinados, pela “falácia Salazarista”. E é com esses que nos temos de preocupar. Se uns sabem o valor que a liberdade tem, que portas consegue abrir e que tipo de vida oferece, outros não o conseguem perceber, e ficam agarrados ao passado. Mas é o nosso dever enquanto cidadãos ativos, cidadãos democráticos, filhos e netos de abril democrático, combater essa iliteracia.
Uma forma simples de se combater esta negligência é contactar com pessoas que viveram o antes e depois de abril. Quem melhor que as pessoas, ex-combatentes, que viveram e experienciaram estes momentos, para nos contar tudo? E acreditem que são os mais idosos, os que sobreviveram ao Salazarismo que mais valorizam a Liberdade e a Democracia! Além da preocupação com os cidadãos que seguem o Salazarismo, temos de olhar pelos nossos jovens; (eu abordo muito o tema dos jovens porque, em primeiro lugar, sou um; em segundo porque convivo com eles; e em terceiro porque sei o perigo que um jovem sem ideais liberais e democráticos pode oferecer à sociedade). Jovens iludidos pela falsa belle époque do Estado Novo. Estes têm de ser reeducados com valores democráticos porque a liberdade não é garantida, há que lutar por ela todos os dias!
Para concluir, peço-vos para verem o caminho democrático que fizemos até hoje, ao longo destes 52 anos. Peço-vos que vejam o que a nossa mudança para um sistema livre e democrático nos garantiu, e garante.
A Liberdade é importante porque não é um privilégio, nem algo que se consegue comprar. É um direito que todos temos e por ele temos de lutar, ser corajosos e falar! Ter o direito de viver, expressar, pensar, escrever.
Temos de valorizar a nossa liberdade hoje, mais do que nunca! A Liberdade é ouro. Liberdade é vida

Estudante do Ensino Secundário














