Europa League | SC Braga, 2 – SC Freiburg, 1 – Arsenal do Minho leva vantagem para a Alemanha

Num jogo de grande intensidade e com muitas ausências no onze minhoto, o Braga sofreu o empate cedo, perdeu o capitão Horta por lesão e viu o guarda-redes Atubolu defender um penálti à beira do intervalo. Resistiu. E nos descontos, Dorgeles resolveu com um golo de área que valeu ouro.

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O Braga entrou bem no jogo. Num Municipal com mais de 27 mil adeptos e com o Presidente da República e o seu antecessor lado a lado na tribuna, o Arsenal do Minho impôs o seu ritmo e Tikanz, ex-Beşiktaş de naturalidade turca, adiantou os minhotos no marcador logo aos 8 minutos, numa jogada em que Víctor Gómez foi o verdadeiro arquiteto da jogada. O golo tinha tudo para dar tranquilidade à equipa da casa — mas durou pouco.

Tikanz, no lance que colocou o Braga em vantagem na partida. Foto de ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

O Freiburg, que chega a Braga com a defesa menos batida desta edição da competição, não entrou em pânico. Aos 16 minutos, Grifo restabeleceu a igualdade aproveitando precisamente aquilo que os alemães melhor fazem: a transição ofensiva rápida e eficaz. O 1-1 mudou o jogo, e a partir daí o encontro foi muito para o duelo físico — um terreno em que o Freiburg se sente confortável.

A lesão de Horta e o penálti desperdiçado

O momento mais preocupante da primeira parte não foi o empate — foi a saída de Ricardo Horta. O capitão bracarense acusou problemas físicos aos 21 minutos e acabou por deixar o relvado aos 25. A sua ausência obrigou o treinador a recorrer a soluções de recurso num plantel já de si condicionado por diversas ausências. O Braga ficou mais frágil, mais dependente de jogadores que não estão habituados a esta exigência europeia.

Ainda assim, a equipa da casa não se rendeu. Manteve uma pressão alta e efetiva que não permitiu ao Freiburg circular com facilidade pelo corredor defensivo. O jogo fechou-se, sem grandes oportunidades, até que um canto aos 44 minutosgerou confusão na área alemã com Lienhart a agarrar Lagerbielke. Ao minuto 45 o árbitro foi chamado ao VAR e apontou para a marca de grande penalidade. O Municipal explodiu. E depois gelou.

Atubolu, o guarda-redes do Freiburg, atirou-se ao lado certo e defendeu com uma estirada extraordinária. Uma bola bem colocada por Rodrigo Zalazar, mas muito mérito do guardião alemão, no momento mais perigoso da partida. O intervalo chegou com o placar empatado.

Segunda parte equilibrada — e Moutinho a tentar segurar o fio

O segundo tempo começou com o Freiburg a querer comandar, e o Braga a responder. Aos 49 minutos, um corte providencial de Kintler — o central alemão — impediu que Salazar atirasse a golo numa das primeiras ocasiões do período complementar. Seguiram-se longos minutos de equilíbrio, sem grandes oportunidades de lado a lado, com as duas equipas a recorrer às segundas bolas e a tentar encontrar espaços que o adversário teimava em fechar.

O Freiburg continuou a ser superior nas alturas e nos duelos físicos. Aos 68 minutos, um lance muito duvidoso dentro da área minhota — um choque entre dois jogadores — levou o árbitro a assinalar falta fora da área. O livre bateu na barreira. O Braga respirou.

Superioridade física de Manzambi (SC Freiburg) na disputa da bola. Foto de ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

Quem foi ganhando influência no jogo foi João Moutinho. Com 39 anos, o internacional português foi assumindo as rédeas do meio-campo minhoto a partir dos 78 minutos, imprimindo ao Braga a leitura e a serenidade que só os anos dão. A sua experiência europeia foi um ativo inestimável num momento em que o jogo parecia caminho de um empate sem glória.

Aos 85 minutos, Paul Vítor protagonizou uma boa jogada individual — mas perdeu o timing do remate e a oportunidade desvaneceu-se. Já nos instantes finais, Navarro reclamou grande penalidade ao ser puxado por trás quando tentava uma bicicleta. O árbitro entendeu que não era suficiente para assinalar.

Dorgeles, ao cair do pano

Faltavam apenas dois minutos de compensação quando Vítor Gómez — o mesmo que tinha sido assistido fora do campo por lesão um pouco antes, o mesmo que tinha construído o primeiro golo — recebeu a bola, avaliou a situação e serviu um cruzamento atrasado com o timing perfeito. Mário Dorgeles apareceu no lugar certo, com movimentos curtos e profundidade, e concluiu com precisão cirúrgica. Sem grande espaço, mas com a cabeça fria.

Instante do golo de Mário Dorgeles que deu o triunfo ao Braga. Foto de ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

O Municipal explodiu. O Freiburg, que tinha resistido durante 91 minutos com uma organização defensiva impecável, não teve resposta. O árbitro apitou. O Braga venceu.

É uma vantagem que não garante nada — o Freiburg é uma equipa demasiado séria para ser dada como eliminada — mas é real e merecida. O Braga vai à Alemanha com um golo de diferença e com a convicção de que, quando o jogo exige caráter, este grupo sabe encontrá-lo.

Declarações

Carlos Vicens, treinador do SC Braga. Foto de ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

Carlos Vicens (Treinador do SC Braga): “Os jogadores deixaram a alma e fomos recompensados.

Foi um jogo difícil, tal como esperávamos de uma meia-final da Liga Europa. Tivemos mais um contratempo, no caso a lesão do Ricardo, que nos obrigou a fazer uma substituição cedo. Para além disso, no golo deles houve um desentendimento entre dois jogadores nossos. A equipa estava num momento e estava a ser agressiva. Ainda assim, reagimos ao golo sofrido, à lesão e ao penálti falhado. Na segunda parte continuámos a tentar e não parámos de acreditar. No final, conseguimos a recompensa e estamos em vantagem a meio da eliminatória. Na Alemanha, o Freiburg vai tentar dar a volta e temos de estar preparados para apresentar uma boa versão nossa. Vamos dar tudo para chegar à final.”

Julian Schuster, treinador do SC Freiburg. Foto de ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

Julian Schuster (Treinador do SC Freiburg): “Ainda temos 90 minutos e acreditamos que podemos dar a volta”

O início do jogo e o fim não foram bons para nós. O Braga marcou muito cedo, mas reagimos e, depois do nosso golo tivemos alguma estabilidade. A segunda parte foi razoável e tivemos as melhores oportunidades para voltar a marcar. É difícil sofrer um golo tão tarde, mas continuamos optimistas para o jogo da segunda mão.”
“Esta equipa tem qualidade para inverter o resultado. Com o apoio dos nossos adeptos e a jogar em casa, teremos confiança para apresentar um melhor desempenho e vencer o segundo jogo.

A segunda mão — o desafio da Alemanha

O Braga regressa ao trabalho com os olhos postos em Freiburg. A segunda mão da meia-final da Liga Europa disputa-se na próxima quinta-feira, 7 de maio, no Europa-Park Stadion, casa do SC Freiburg, num ambiente que se prevê de enorme intensidade — os alemães nunca perderam em casa nesta edição da competição e os seus adeptos serão, certamente, o décimo segundo jogador. O Braga parte com a vantagem mínima de um golo, que é real mas frágil. Chega suficiente, mas não confortável. Carlos Vicens sabe-o bem — e os seus jogadores também. A final de Istambul, no Beşiktaş Park, a 20 de Maio de 2026, está a 90 minutos. Ou talvez a mais.

Foto de ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

FICHA DE JOGO

Estádio Municipal de Braga, em Braga.
SC Braga – SC Freiburg, 2-1
Ao intervalo: 1-1
Marcadores:
1-0, Tikanz, 8′.
1-1, Grifo (Freiburg), 16′.
2-1, Mário Dorgeles, 90’+2 (assist. Vítor Gomes).

SC Braga: Lukáš Horníček (GR), Victor Gómez, Vitor Carvalho, João Moutinho, Rodrigo Zalazar (Fran Navarro, 72′), Gustaf Lagerbielke, Paulo Oliveira, Pau Víctor, Ricardo Horta (C) (Mario Dorgeles, 25′), Jean-Baptiste Gorby, Demir Ege Tıknaz

Suplentes: Tiago Sá (GR), Alaa Bellaarouch (GR), Leonardo Lelo, Amine El Ouazzani, Mario Dorgeles, Fran Navarro, Yanis Da Rocha, Jónatas Noro, Rodrigo Osório Mordomo Silva, João Vasconcelos, Luisinho, Afonso Sousa

Treinador: Carlos Vicens

SC Freiburg: Noah Atubolu (GR), Philipp Lienhart, Maximilian Eggestein, Yuito Suzuki (Lucas Höler, 81′), Jan-Niklas Beste, Matthias Ginter, Philipp Treu, Igor Matanović, Vincenzo Grifo (C) (DerryScherhant, 81′), Jordy Makengo, Johan Manzambi

Suplentes: Florian Müller (GR), Jannik Huth (GR), Anthony Jung, Derry Scherhant, Lucas Höler, Lukas Kübler, Cyriaque Irié, Maximilian Philipp, Nicolas Höfler, Christian Günter, Bruno Ogbus, Rouven Tarnutzer

Treinador: Julian Schuster

Árbitro: Anthony Taylor (ENG).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Vitor Carvalho (16′), Vincenzo Grifo (32′), Philipp Lienhart (45’+3′), Victor Gómez (57′), e Jordy Makengo (72′).

Assistência: 27.161 espectadores.

 

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