1º dia de aulas : “Será que ele vai chorar? Será que vai sentir a minha falta? “- Por Rosa Fonseca

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Entramos em setembro ainda com a maresia no corpo apesar dos dias de praia terem chegado ao fim. Por estes dias, o coração das mães de filhos em idade pré-escolar, bate mais forte.

Hoje vou conversar com os pais dos mais pequeninos. É nestes que se concentra a maior preocupação e ansiedade neste início de ano, sobretudo, naqueles que vão, pela primeira vez pisar o solo sagrado da escola. Sentir de perto, os olhos do desconhecido, o espanto do novo. Sentir a surpresa e o encantamento, ainda que envoltos em medos e receios, nesta etapa que marca para sempre a personalidade de cada um. Quem não se lembra do primeiro dia?

É a primeira vez que Joana deixa o filho no jardim de infância, e uma mistura de orgulho e angústia invade o seu peito. Pela manhã, prepara a mochila com cuidado, como se fosse uma extensão do seu próprio amor. Não esquece a pequena girafa de pelúcia que o seu menino tanto gosta. Já sente o primeiro corte umbilical, uma dor fininha, difusa, bem perto do peito.

O peso do silêncio ao entrar na sala, decorada com balões, só foi quebrado pelos risos e brincadeiras das outras crianças. Mas, para ela, o mundo parece parar por um instante. Cada passo que dá para fora da porta é uma despedida carregada de emoções que tenta esconder, mas que transbordam por dentro.

A angústia é como uma nuvem que insiste em flutuar, mesmo sabendo que é necessário. O seu pensamento veloz não a descansa: “Será que ele vai chorar? Será que vai sentir a minha falta?”, e, ao mesmo tempo, deseja que ele descubra o mundo.

Esta ambivalência emocional segue-a pelo dia fora. Envolve-a num silêncio mais intenso. Cada objeto lembra a presença dele, cada detalhe parece vazio sem o seu sorriso. Mas, ao mesmo tempo, ela sabe que é uma etapa importante na vida do seu menino, uma oportunidade de aprender, de socializar, de crescer.

Pais, que por estes dias têm andado apreensivos, ansiosos, aquietem o vosso coração, a escola é uma casa de amor. A estabilidade dos vossos filhos, depende, também, da vossa. Precisamos de transmitir-lhes afeto e confiança. O Amor está nos gestos mais simples e cúmplices.

E, se quando o for buscar à escola, sentir o seu olhar triste, afague-o e diga-lhe que vai correr tudo bem. Mas se ele estiver feliz, abrace-o também. Os abraços são a fortaleza que amparam o crescimento.

O primeiro dia de escola é sempre um tempo novo e de muitas mudanças, um marco na história de cada um.

Filho, na tua mochila vai um saquinho de beijos.

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