Ora bem, vamos lá ser francos e deixar de lado as narrativas cor-de-rosa. É um escândalo que deveria envergonhar todo e qualquer gestor público. Fechámos novembro de 2025 com o Programa COMPETE 2030 a apresentar uma taxa de execução de uns miseráveis 3,9%.
Sim. Leram bem!
Num Portugal que enche a boca com “modernização”, temos empresas a desidratar ao lado da torneira dos fundos europeus que a ineficácia do Estado mantém fechada. 67% da dotação foi posta a concurso, certo, mas o dinheiro não chega a quem produz. Isto é um bloqueio administrativo que infelizmente nos vai custar o futuro.
Os dados mais recentes do INE mostram que o sistema judicial continua a ser o grande problema na nossa competitividade. Quando mais de metade das empresas (53,7%) classifica a duração dos processos em 2025 como um obstáculo “elevado ou muito elevado”, o que o mercado nos está realmente a dizer é simples, um contrato em Portugal é ficção.
Uma economia onde a justiça tarda e falha, não é um mercado livre, é um jogo onde os caloteiros levam a melhor. É a realidade, meus caros.
A isto, soma-se o que qualquer um de nós sente na pele, a carga burocrática. É revoltante constatar que, em pleno 2025, as empresas continuam a suportar diretamente mais de 60% dos custos com a entrega de informação ao Estado. Transformaram-nos, a nós empresários e aos nossos contabilistas, em funcionários públicos não remunerados. Estamos a passar horas a alimentar portais e a preencher formulários para saciar a fome de dados de um monstro que, ironicamente, não os sabe tratar para nos devolver serviços decentes.
E não nos deixemos embalar pela conversa da “inflação controlada” suportada pelos dados oficiais que a inflação média se ficou pelos 2,3%. Quem gere uma casa ou uma empresa sabe que isto é uma média estatística que esconde a verdade. Tal como todas as médias.
Em 2025, os produtos alimentares não transformados subiram quase 5%, com a carne e o peixe a dispararem muito acima disso. As rendas subiram 5,3%. O que isto significa na prática é que o custo de vida real subiu. E esta subida força uma pressão salarial que as PME, asfixiadas pela carga fiscal, têm uma dificuldade imensa em acompanhar.
O que nos espera em 2026?
O BCE estabilizou as taxas nos 2,00%. O tempo do dinheiro grátis acabou e, honestamente, ainda bem. A realidade voltou. A ideia de que o crescimento tudo resolve morreu. Agora, ou o negócio é eficiente e gera caixa, ou então, tem os dias contados.
Não pensem que vejo tudo com o olhar da derrota, mas sim com olhar pragmático. Hoje, empreender em Portugal, exige uma generosa dose de estoicismo. Quem cria valor neste jardim à beira-mar plantado, apesar do nosso Estado predador, da justiça lenta e da execução de fundos vergonhosa, já não é simplesmente um empresário. É um resistente.
Portanto, foquem-se na eficiência. Não contem com o PRR para salvar o ano, não contem com as descidas de impostos milagrosas e não esperem que a burocracia vos facilite a vida.
Apenas nos é possível controlar um aspecto, a nossa própria gestão. Protejam a vossa tesouraria, valorizem as vossas equipas, porque o talento é escasso e vai custar cada vez mais e ignorem todo o ruído político.
Só conseguiremos sobreviver se tivermos a coragem de ser excelentes!
Mãos à obra. Até já.
Sobreviver em 2026
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Doutorado em Administração de Empresas | Consultor e Formador | Fundador da MindsetSucesso | Investigador em Sucessão Empresarial, Liderança no Feminino e Desenvolvimento de Talento







