O show off

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Nunca tinha visto uma megaoperação da Polícia Judiciária com 400 funcionários, técnicos de informática e procuradores a realizar buscas domiciliárias e não domiciliárias a um só partido político. E a avisar antecipadamente as estações de televisão. Mais estranho ainda com os repórteres colocados à porta da sede do Partido Socialista, no Largo do Rato, em Lisboa. Show off? Espectáculo combinado? Cabala política? Todas as especulações e teorias da conspiração são válidas em face de algo se realizar por parte de uma instituição estatal judicial sem ser em segredo absoluto e levada a efeito na capital, em Oeiras, Mafra e Coimbra. Socialistas detidos. Muitos arguidos. Até uma senhora que tinha em casa uma arma velha que era do pai foi presa e logo libertada por um juiz, a fim de não se entrar no campo do risível, quando se tratava de algo muto sério.

Há um facto concreto: não ponho as mãos no fogo se as suspeitas direccionadas ao PS não existirem em todos os partidos. Mas, como dizia o outro “habituem-se!”! A quê? A que a política deixe de ser para a política e a justiça para a justiça. Não há dúvidas que o país assistiu a uma mistura clara entre a justiça e a política, especialmente quando foi anunciado que os portugueses em resultado de sondagens optaram por colocar o PS em primeiro lugar.

O mais estranho disto tudo é que, mais uma vez, a montanha parece ter parido um rato, porque o juiz de instrução mandou todos os detidos pela PJ em liberdade.
Nunca tivemos qualquer relação pessoal com o Partido Socialista, mas admira-nos muito que 400 funcionários que tanta falta fazem nos seus gabinetes para darem andamento a imensas queixas-crime que andam pelas gavetas há meses por falta de pessoal na PJ, particularmente procuradores, sejam encaminhados para buscas numa altura precisa em que os socialistas ultrapassaram a AD em resultado de inquérito nacional.

E quem mais lucrou com o show off? Obviamente o populista que pretende acabar com a democracia e que veio de imediato a público louvar as buscas e denegrir o líder socialista José Luís Carneiro. Se nada disto é misturar justiça com política, então, passarei a acreditar que os porcos voam…

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