O projeto RAIA apresentou esta sexta-feira o seu novo trabalho discográfico, intitulado Uádi. O álbum sucede aos temas já divulgados, Saias de Cinza e Um Dia no Deserto, e é descrito como um “disco-rio” que percorre as margens da Raia Ibérica, abrindo a viola campaniça a novas geografias e linguagens.
Inspirado pelo conceito de hiperobjetos, do filósofo Timothy Morton, Uádi propõe uma viagem sonora em que a viola campaniça dá voz a um rio subterrâneo, invisível à superfície, mas presente. As composições evocam desertos, chuvas, ciclos de abundância e escassez, remetendo para fenómenos locais e globais que moldam a vida no planeta.
O álbum sublinha que a natureza não está fora de nós, mas integra o mesmo fluxo que envolve som, terra, clima e tecnologia. Ao invés de uma paisagem romântica, o disco propõe um território vivido, marcado por transformações ambientais e culturais.
Com Uádi, a viola campaniça deixa de ser apenas símbolo da tradição para se transformar num veículo de experimentação, atravessando eletrónica, colaborações e sonoridades híbridas. Um terceiro single, O Golpe, será lançado em breve e contará com a participação de Fio Manta.
RAIA é o projeto de António Bexiga, músico alentejano que explora a viola campaniça nas suas fronteiras acústicas e elétricas, analógicas e digitais, tradicionais e experimentais, frequentemente em diálogo com outras artes.
OC/RPC







