O lado íntimo da Rainha D. Amélia revelado no Paço Ducal de Vila Viçosa

A Fundação da Casa de Bragança inaugura, a 20 de setembro, a exposição Amélia de Orléans e de Bragança, o espólio da Rainha, que dá a conhecer objetos pessoais de D. Amélia, assinalando os 160 anos do seu nascimento.

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Vila Viçosa prepara-se para receber, no próximo dia 20 de setembro, pelas 16h00, a inauguração da exposição Amélia de Orléans e de Bragança, o espólio da Rainha, uma mostra promovida pela Fundação da Casa de Bragança que convida o público a revisitar a vida e o legado de D. Amélia (1865-1951), última Rainha consorte de Portugal. A exposição ficará patente no Paço Ducal de Vila Viçosa até 30 de agosto de 2026 e marca as celebrações dos 160 anos do nascimento da monarca.

Rainha D. Amélia. Fundação Casa de Bragança direitos reservados.

Mais do que um registo histórico, a mostra abre as portas à dimensão pessoal e íntima da Rainha, revelando-a como mãe, mulher, artista, filantropa e mecenas. Ao longo de cerca de uma centena de peças, o visitante é convidado a percorrer o universo privado de D. Amélia, onde cada objeto carrega uma memória, uma emoção e uma ligação profunda à história da monarquia portuguesa.

Objetos que contam histórias

Entre os destaques, encontra-se o manto real oferecido ao Santuário de Fátima, uma peça de luxo e devoção, feita em cetim de seda, fio laminado, missangas, rendas e plumas.

Manto de D. Amélia de Orleans na exposição “Vestida de Branco” (Museu do Santuário de Fátima). Fotografia do Arquivo do Santuário de Fátima.

Outro marco da exposição é a cadeira de braços com as armas reais, em madeira dourada, concebida em Paris no século XIX, e que ficou para sempre imortalizada em retratos oficiais da Rainha.

Cadeira de braços com armas reais (Paris, Lemarchand c. 1845 – 46). Museu-Biblioteca da Casa de Bragança.

A mostra, porém, vai muito além da pompa e da solenidade. A sua dimensão mais íntima e comovente surge em pequenos objetos guardados com extremo cuidado: imagens religiosas com dedicatórias pessoais, madeixas de cabelo da própria Rainha e dos filhos, D. Luís Filipe e D. Manuel II, quando eram crianças,

Carteira com uma miniatura do Príncipe D. Luís Filipe e uma madeixa de cabelo. Autor: David Knights Whittome. Museu-Biblioteca da Casa de Bragança.

ou ainda o primeiro dente do Príncipe D. Luís Filipe, cuidadosamente guardado numa pequena caixa com a inscrição manuscrita “Première / dent du / Petit Louis / Août 1893”.

Primeiro dente do Príncipe D. Luís Filipe, 1893 Dente de leite. Caixa da ourivesaria “LEITÃO & IRMÃO / JOALHEIROS DA CORÔA / LISBOA-PORTO”. Museu-Biblioteca da Casa de Bragança

Estes elementos permitem vislumbrar D. Amélia numa perspetiva mais humana, longe do peso institucional da coroa, destacando-a como mãe dedicada e mulher sensível às memórias familiares.

Um olhar sobre a Rainha

Nascida em 1865, em Paris, filha dos Condes de Paris, D. Amélia casou-se com D. Carlos em 1886, tornando-se Rainha consorte de Portugal até à Implantação da República em 1910. Ao longo da sua vida, destacou-se pela atividade cultural, filantrópica e artística, promovendo obras de caridade, apoiando hospitais e incentivando projetos ligados às artes.

A exposição sublinha este papel central de D. Amélia não apenas como figura da monarquia, mas também como mulher de grande influência intelectual e cultural, capaz de deixar um legado que ultrapassou os limites da realeza.

Património vivo no Paço Ducal

A mostra resulta de um vasto trabalho de estudo, preservação e valorização do acervo do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança, que há décadas tem a missão de conservar e divulgar o património deixado pelo último Rei de Portugal, D. Manuel II, e pela família real.

Pintura autoria Rainha D. Amélia.

Com este evento, a Fundação da Casa de Bragança reforça o compromisso com a preservação da memória e identidade nacional, promovendo o acesso a coleções únicas que permitem compreender não apenas a história política de Portugal, mas também as vivências pessoais de quem a protagonizou.

Serviço educativo e dimensão cultural

A exposição estará aberta ao público durante quase um ano, permitindo visitas individuais, de grupo e escolares. Para além do espólio em exposição, o Paço Ducal de Vila Viçosa prepara também um programa paralelo de atividades educativas e culturais, pensado para aproximar diferentes públicos da figura de D. Amélia, desde investigadores a famílias que procuram conhecer de forma acessível a história da última Rainha consorte.

OC/RPC

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