Greve geral manchada por distúrbios, petardos e seis detidos

A greve geral desta quarta-feira ficou manchada por confrontos, distúrbios, rebentamento de petardos, focos de fogo em caixotes do lixo e seis detidos, tudo em Lisboa, frente à Assembleia da República. No Porto, a mobilização foi também acentuada, mas sem incidentes.

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A greve geral desta quarta-feira ficou manchada por confrontos, distúrbios, rebentamento de petardos, focos de fogo em caixotes do lixo e seis detidos, tudo em Lisboa, frente à Assembleia da República.
 
O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, destacou os milhares de trabalhadores presentes nas manifestações da confederação sindical em todo o país e apontou que os distúrbios ocorridos em Lisboa foram causados por grupos que se infiltraram no protesto.
Greve Geral – Lisboa. Foto: LEONARDO NEGRÃO | DN | Direitos Reservados

Tiago Oliveira referiu, em entrevista à RTP esta quarta-feira à noite, que a confederação sindical organizou em todos os distritos manifestações que “decorreram pacificamente“, lembrando que o mote da CGTP na greve geral que decorre hoje era “passar a mensagem concreta do que são as reivindicações dos trabalhadores“.

Tiago Oliveira salientou que nenhum elemento do sindicato esteve envolvido nos confrontos, referindo que “há grupos que se integram nas manifestações da CGTP para levar adiante este tipo de situações“.

Greve Geral – Lisboa. Foto: Direitos Reservados

O ministro da Presidência afirmou hoje que o dia de greve geral foi de “trabalho para a esmagadora maioria de portugueses” e condenou “comportamentos inaceitáveis de alguns” na manifestação junto ao Parlamento, distinguindo-os da organização.

Porto | Paralisação histórica no tecido industrial

A contestação ao pacote laboral ganhou uma expressão inequívoca no Norte, traduzindo-se numa demonstração de força dos trabalhadores que decidiram não abdicar dos seus direitos. A mobilização, que resultou de milhares de contactos diretos nos locais de trabalho e de centenas de plenários de esclarecimento, culminou num bloqueio severo à produção industrial e ao comércio na região do Grande Porto. O descontentamento, que já se fazia sentir com lutas recentes por aumentos salariais em empresas de referência, paralisou grandes multinacionais e as maiores superfícies comerciais do norte do país.

Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão
Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

Chão de fábrica congelado no Grande Porto

O impacto da paralisação foi transversal e severo nos principais polos industriais. Em Vila Nova de Gaia, a Groz-Beckert — a famosa multinacional de agulhas industriais — viu a sua produção ser totalmente interrompida devido a uma adesão que superou os três quartos da força de trabalho. Cenário idêntico viveu-se na APICO, na Maia, onde uma adesão esmagadora congelou por completo as linhas de fabrico.

Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão
Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

O setor dos componentes automóveis e da metalomecânica pesada registou igualmente níveis de protesto massivos. Empresas como a Ficocabos, a Preh (na Trofa), a Inapalmetal e a Hutchinson viram a esmagadora maioria dos seus operários cruzar os braços. Na histórica Efacec, o apelo à greve colheu um eco profundo, registando uma adesão amplamente maioritária que afetou a atividade regular da empresa.

Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão
Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

A mobilização estendeu-se com firmeza à MBO, com forte impacto no chão de fábrica, e à DSM. Mais para o interior do distrito, na zona industrial de Baltar (Paredes), os trabalhadores da Manitowoc — unidade especializada no fabrico de gruas — paralisaram as instalações com uma adesão de três quartos dos funcionários. No setor metalúrgico e de montagem, as empresas CamoCabelte e RTE registaram uma forte quebra operacional, com metade ou mais da capacidade de montagem totalmente inativa. Uma resposta firme que afetou também a atividade de engenharia e tecnologia operada pela Altran (atual Capgemini Engineering).

Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão
Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

Setor da distribuição encerra portas a Norte

Para além das muralhas das fábricas, o protesto fez-se sentir de forma inédita e visível no quotidiano das populações através do setor da grande distribuição. Fontes sindicais confirmaram um cenário de bloqueio comercial sem precedentes: todas as grandes superfícies comerciais da insígnia Continente fecharam as portas em toda a região norte do país. Paralelamente, o Grupo Auchan sofreu também o impacto direto da jornada de luta, sendo forçado a encerrar três das suas principais lojas na região.

Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão
Greve Geral – Porto. Foto: VÍTOR LIMA | O Cidadão

A fechar o balanço desta histórica jornada de protesto, os setores mais precarizados e tecnológicos também deram sinais de forte resiliência. No setor dos serviços partilhados e call centers, designadamente na área da telecontagem e do suporte técnico operado a partir do Porto, a adesão atingiu níveis históricos, com quatro em cada cinco trabalhadores a recusarem-se a iniciar funções, demonstrando que a contestação ao pacote laboral uniu o operariado clássico à nova economia digital.

OC/LUSAMP/VL


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