
João Oliveira referiu, em entrevista à RTP esta quarta-feira à noite, que a confederação sindical organizou em todos os distritos manifestações que “decorreram pacificamente“, lembrando que o mote da CGTP na greve geral que decorre hoje era “passar a mensagem concreta do que são as reivindicações dos trabalhadores“.
O secretário geral da CGTP-IN salientou que nenhum elemento do sindicato esteve envolvido nos confrontos, referindo que “há grupos que se integram nas manifestações da CGTP para levar adiante este tipo de situações“.

O ministro da Presidência afirmou hoje que o dia de greve geral foi de “trabalho para a esmagadora maioria de portugueses” e condenou “comportamentos inaceitáveis de alguns” na manifestação junto ao Parlamento, distinguindo-os da organização.
Porto | Paralisação histórica no tecido industrial
A contestação ao pacote laboral ganhou uma expressão inequívoca no Norte, traduzindo-se numa demonstração de força dos trabalhadores que decidiram não abdicar dos seus direitos. A mobilização, que resultou de milhares de contactos diretos nos locais de trabalho e de centenas de plenários de esclarecimento, culminou num bloqueio severo à produção industrial e ao comércio na região do Grande Porto. O descontentamento, que já se fazia sentir com lutas recentes por aumentos salariais em empresas de referência, paralisou grandes multinacionais e as maiores superfícies comerciais do norte do país.


Chão de fábrica congelado no Grande Porto
O impacto da paralisação foi transversal e severo nos principais polos industriais. Em Vila Nova de Gaia, a Groz-Beckert — a famosa multinacional de agulhas industriais — viu a sua produção ser totalmente interrompida devido a uma adesão que superou os três quartos da força de trabalho. Cenário idêntico viveu-se na APICO, na Maia, onde uma adesão esmagadora congelou por completo as linhas de fabrico.


O setor dos componentes automóveis e da metalomecânica pesada registou igualmente níveis de protesto massivos. Empresas como a Ficocabos, a Preh (na Trofa), a Inapalmetal e a Hutchinson viram a esmagadora maioria dos seus operários cruzar os braços. Na histórica Efacec, o apelo à greve colheu um eco profundo, registando uma adesão amplamente maioritária que afetou a atividade regular da empresa.


A mobilização estendeu-se com firmeza à MBO, com forte impacto no chão de fábrica, e à DSM. Mais para o interior do distrito, na zona industrial de Baltar (Paredes), os trabalhadores da Manitowoc — unidade especializada no fabrico de gruas — paralisaram as instalações com uma adesão de três quartos dos funcionários. No setor metalúrgico e de montagem, as empresas Camo, Cabelte e RTE registaram uma forte quebra operacional, com metade ou mais da capacidade de montagem totalmente inativa. Uma resposta firme que afetou também a atividade de engenharia e tecnologia operada pela Altran (atual Capgemini Engineering).


Setor da distribuição encerra portas a Norte
Para além das muralhas das fábricas, o protesto fez-se sentir de forma inédita e visível no quotidiano das populações através do setor da grande distribuição. Fontes sindicais confirmaram um cenário de bloqueio comercial sem precedentes: todas as grandes superfícies comerciais da insígnia Continente fecharam as portas em toda a região norte do país. Paralelamente, o Grupo Auchan sofreu também o impacto direto da jornada de luta, sendo forçado a encerrar três das suas principais lojas na região.


A fechar o balanço desta histórica jornada de protesto, os setores mais precarizados e tecnológicos também deram sinais de forte resiliência. No setor dos serviços partilhados e call centers, designadamente na área da telecontagem e do suporte técnico operado a partir do Porto, a adesão atingiu níveis históricos, com quatro em cada cinco trabalhadores a recusarem-se a iniciar funções, demonstrando que a contestação ao pacote laboral uniu o operariado clássico à nova economia digital.
OC/LUSA/MP/VL
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