O Circo está a chegar à Cidade – Por Amadeu Ricardo

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Se votares na direita, vais ser a estrela do circo — mas só até à noite das eleições.
Pára.
Lê devagar.
Mesmo que doa.
Se trabalhas por um salário baixo, pagas uma renda ou empréstimo até ao pescoço, esperas meses por uma consulta no SNS, tens os filhos na escola pública, e ainda assim decides votar na direita… estás a escolher piorar a tua vida.

A direita sabe falar para ti. Sabe como te fazer sentir um ser importante, o centro das atenções. Durante a campanha, vais ser a estrela do circo: vão bater palmas às tuas queixas, dar-te abraços, apertar-te a mão, e prometer mundos e fundos. Vais acreditar que és ouvido, e que a tua voz importa, que “agora vai ser diferente”.

Mas a brincadeira termina na noite do dia das eleições. Quando os votos forem contados, a tua utilidade acaba.
As promessas evaporam. As prioridades mudam. O discurso sobre “o povo” dá lugar a reuniões com empresários, acionistas e lobbies.
Tu voltas para a fila do centro de saúde, para o autocarro cheio, às 7 da manhã, para o recibo verde sem direitos — e eles voltam para os jantares privados e para as casas com vistas fantásticas.

Eles não governam para ti.
Governam sobre ti.

O histórico é claro:

Travar aumentos salariais para “proteger a economia” — leia-se: proteger os lucros milionários.

Entregar a habitação a fundos estrangeiros e especuladores — o que torna a tua renda impossível de pagar.

Enfraquecer o SNS até te empurrar para os seguros (que são de saúde, não de Doença) e hospitais privados — para pagares duas vezes pelo mesmo serviço.

Cortar na escola pública para justificar o desvio de dinheiro para os colégios privados.

Chamar “subsidiodependente” ao pobre que recebe 200€ — mas nunca ao banco que é salvo com biliões de euros públicos, os teus.
E ainda te dão um inimigo falso para te entreteres e odiar: o imigrante, o sindicalista, o funcionário público, o estudante. Tudo para que não olhes para cima e percebas quem realmente está a mandar.

Não te enganes: no dia das eleições, tu és o voto. No dia seguinte, és estatística.

E a direita sabe que, enquanto te conseguir manter entretido com o espetáculo, não vais perceber que és só figurante numa peça que não é para ti.

O voto não é um brinquedo nem uma farda de uma qualquer claque. É a tua última defesa contra quem te vê apenas como um número útil de quatro em quatro anos.

Se fores pobre e votares na direita, lembra-te: na noite das eleições, o palhaço do circo não é quem está no palco. És tu.

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