A Fibra que nos pariu: 54 Anos de FC Porto sem Papas na Língua

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Antes de mais, Villas-Boas, se ganhar é, o meu Presidente. É justo, já lhe disse. Se não o fizer, terá de pensar em oposição. As pessoas passam e o clube fica. Não sou saudosista do passado; Pinto da Costa só existe nas boas memórias e, por isso, é importante unir a massa associativa. Vamos ver se nos entendemos, de vez! Não retiro uma vírgula ao que escrevi n’”O Cidadão”, no passado recente, sobre a nova gestão do FC Porto. Tenho o direito de pensar e de ter liberdade de pensamento.

Elogiei e critiquei a forma e o conteúdo como tudo se passou. Sou dos que têm memória: como associado Roseta de Ouro há 54 anos, vivi os 42 anos de vitórias e recordo o passado, pensando no futuro. Curioso que chegámos a um patamar em que, quem discorda, é apelidado de: “viúva”, “benfiquista encapotado”, entre outros “mimos” que não reproduzo por decoro, já que as mãezinhas deles não tiveram culpa…. Esqueçam, podem insistir, mas a época do FC Porto foi “pouquechinho” para as expectativas que criaram.

Podem branquear, disfarçar ou tentar fazer esquecer, mas o FC Porto precisa de ganhar sempre. Às vezes penso: terão sido os 8.000€ que a anterior administração deixou para a gestão corrente? Contudo, quero deixar um aviso aos mais novos: ser do Futebol Clube do Porto nunca foi apenas uma escolha desportiva, mas sim uma herança de carácter, familiar, de trabalho e de resiliência.

Ao longo de décadas, o clube habituou os seus adeptos e o país a uma postura que transcende as quatro linhas do relvado: a capacidade de transformar as dificuldades em combustível para o sucesso. Esta mentalidade de superação constante, tantas vezes apelidada de “mística” ou “ADN Porto” — que os nossos adversários nunca entenderam —, define a verdadeira essência do “ser Porto”.

Este não é um clube moldado pelo facilitismo, pela inércia ou pelos favorecimentos. Pelo contrário, o percurso foi construído a pulso pela força das gentes do Norte, desafiando centralismos e provando que o mérito é a única moeda que compra a glória duradoura na Cidade Invicta. O trajeto do clube no panorama do futebol é marcado por uma consistência impressionante, tanto a nível nacional como internacional. Enquanto muitos apontam o favoritismo histórico a outros quadrantes, o FC Porto responde com títulos, organização e uma exigência máxima. Não se trata de sorte; trata-se da fibra nortenha, de competência e de rigor, que começam nas decisões da estrutura dirigente, passam pela liderança técnica (muitas vezes incompreendida) e culminam no apoio incansável dos adeptos nas bancadas do Estádio do Dragão (incluindo as claques). Chegámos, provavelmente, aos 80.000 adeptos. Muito bom, torna o clube global, mas não nos devemos esquecer de que o clube nos habituou a olhar para cada jogo não como uma mera formalidade, mas como uma batalha onde abdicar de lutar é o único erro proibido, honrando o brasão e a cidade. A celebração com a festa nos Aliados da impressionante marca dos 31 títulos de campeão nacional surge como o reflexo perfeito desta mentalidade dominadora. Mais do que um número ou uma curiosidade estatística, este registo histórico é o testemunho de gerações de atletas audazes e de equipas que nunca jogaram para o empate, muito menos “pouquechinho”… deixaram tudo em campo.

Desde os míticos goleadores do passado (Gomes, Jardel, entre outros) aos heróis do presente, cada golo da contagem representa a ambição desmedida de um emblema que encara o ataque como a melhor forma de honrar a história.

Como portista atento ao fenómeno desportivo, importa elogiar o espírito de união e a descentralização que o FC Porto representa — ou sempre quis representar. Este é um clube que orgulha e dá voz ao Norte, mas que também eleva o nome de Portugal além-fronteiras com uma dignidade e um respeito que poucos conseguem replicar.

O FC Porto prova, ano após ano, que o sucesso pertence àqueles que trabalham com afinco, lutam contra as adversidades e entram em campo com a certeza de que representam a alma de uma região indomável. É esta força que continua a inspirar novas gerações de cidadãos, consolidando o FC Porto como um exemplo vivo de que, com a exigência e a paixão típicas da sua terra, nenhuma meta é inalcançável.

Parabéns à administração do FCP, na pessoa do seu Presidente; parabéns à estrutura técnica e aos jogadores. Faço votos para que se continue a ganhar, sempre! Só assim mantemos a chama viva. Para o ano há mais e cá estarei com a minha visão critica – espero que não – para por os pontos nos “ii”. Acredito que muitos dos associados estejam eufóricos com a conquista mas é preciso por os pés no chão e perceber as manobras em Lisboa.

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