E ainda há tantas flores por abrir e liberdades por conquistar…
Sonhámos liberdade nas ramagens de abril
Entre horizontes de breu sem estrelas no regaço das mães.
Olhos perdidos ao toque das Trindades sem pão
Acode-nos a espera nas noites escuras.
E abril tardava nas bocas caladas pelo medo.
Assombrados caminhos nas noites dos nossos pais.
Morriam lentamente na desesperança de dias claros
Porque os vampiros na noite escura, comem tudo e não deixam nada…
Mas o sonho que nos nutre a alma não adormece
E o grito sufocado emerge do passado acorrentado
Dos trigais a sul e névoas entre os olhos.
Corpos arrendados às mãos dos carrascos insensíveis
Quantas histórias de almas sofridas e bocas famintas
Deambularam pelas terras de um só dono.
Quantas definhavam e sucumbiam nas trincheiras que abnegavam!
Quantas!!
Porque os vampiros na noite escura, comem tudo e não deixam nada…
E se a esperança tinha força, irrompeu num abril florescido
E abraçou a manhã clara
De uma noite mal dormida
Nasce de um silêncio fundo o desejo de liberdade
Uma liberdade silente que corroía os passos
Dos que mendigavam à boca calada por justiça, paz e pão.
E nesse romper de abril clarearam as bocas cerradas
Destrancaram-se os sonhos sob um azul acabado de nascer.
A liberdade solta-se da voz amordaçada pelas ruas
Pelas janelas que se escancaram.
Abraça os que por ela se aventuraram sem medos
E em cada esquina um cântico prenhe de justiça e igualdade
Em cada mão um cravo rubro que se agarra
Como se agarra um filho antes da guerra
Porque roubar do ventre da mulher o seu filho
É mutilar a Humanidade.

E se a nossa liberdade periga
Que outras manhãs aconteçam e outras vozes ecoem
Em abril ou em dezembro a Liberdade será invencível.
Precisamos dela como pão para a boca
Não chega apregoar liberdade
É urgente atuar para que ela não nos morra à míngua de cravos e de Paz.
Porque os vampiros continuam na noite escura e comem tudo, tudo até ao tutano.
E ainda há tantas flores por abrir e liberdades por conquistar…
Professora e Escritora














