Esta semana não houve sessão de quimioterapia. Não por adiamento ou alteração do plano clínico, mas por simples calendário. Ainda assim, a pausa não representa descanso absoluto. Pelo contrário, abre-se agora uma nova frente, menos falada, mas igualmente exigente, a saúde oral.
Após anos de tratamentos intensos, os efeitos secundários deixaram marcas. A fragilidade dentária tornou-se uma consequência difícil de ignorar. A perda de vários dentes obriga agora a iniciar um novo processo, com a primeira consulta marcada para esta segunda-feira, no IPO, para quem nunca tinha recorrido a este tipo de acompanhamento, trata-se de mais uma etapa inesperada num percurso já longo e desafiante.
A saúde oral, nestes casos, não é apenas uma questão estética ou funcional. A boca é uma das principais portas de entrada de bactérias no organismo. Pequenas infeções nas gengivas, cáries não tratadas ou feridas aparentemente simples podem transformar-se em focos infeciosos com impacto sistémico. Em doentes submetidos a quimioterapia, cujas defesas imunológicas encontram-se fragilizadas, o risco é acrescido. O que para uma pessoa saudável poderia ser facilmente controlado pode tornar-se mais sério quando o sistema imunitário está em baixo. Por isso, o acompanhamento dentário passa a ser parte integrante do próprio tratamento oncológico, exigindo vigilância e cuidados redobrados.
Apesar deste novo desafio, o balanço clínico permanece positivo. Os exames mais recentes indicam que tudo permanece dentro da normalidade. O corpo tem respondido dentro do possível, trazendo serenidade e confiança. Há dias mais difíceis, mas também há dias de estabilidade e esses contam muito.
No meio deste percurso, surge também um sinal claro de avanço na resposta hospitalar. No IPO do Porto foi instalado um equipamento de última geração, possível graças ao financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), representando um passo importante na modernização da infraestrutura tecnológica do hospital.
Trata-se de um sistema que integra angiografia e tomografia computorizada (Angio-TAC), permitindo aos profissionais de saúde realizar procedimentos minimamente invasivos com maior precisão e segurança, reduzindo o risco de complicações e contribuindo para uma recuperação mais rápida dos doentes. O equipamento possibilita visualização tridimensional em tempo real, fundamental para intervenções complexas como embolizações, ablações e drenagens.
A integração dos dois sistemas na mesma sala traz também ganhos evidentes ao nível do conforto e da eficiência, já que permite realizar diferentes exames e intervenções sem necessidade de movimentações constantes do doente, otimizando tempo e melhorando a resposta clínica.
A luta contra o cancro faz-se de ciência, mas também de humanidade. Faz-se de profissionais dedicados e de tecnologia que representa progresso. Cada novo equipamento é um sinal de esperança concreta.
Entre consultas, exames, tratamentos e agora o dentista, permanece uma certeza: continuar. Porque cada etapa, mesmo as mais exigentes, faz parte do mesmo caminho: o da vida.
Repórter














