Sexo com uma ovelha: ato de desespero ou loucura? – Por Pedro Nogueira Simões*

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Quando se fala num tema que provoca profunda consternação e choque numa sociedade, ou seja, o de um determinado ser humano ter sexo com animais, uma coisa é verdade, e bem defendia o nosso distinto Nobel José Saramago: “O sofrimento em silêncio causa uma doença silenciosa: a insanidade mental.”

Assim, à partida, é indiscutível que os indivíduos que se envolvem em comportamentos zoofílicos podem apresentar uma série de questões psicológicas.
E a ciência assim o corrobora, ou seja, comportamentos como ter sexo com uma ovelha ou outro qualquer animal pode estar associado a traumas de infância, dificuldades de socialização e outros distúrbios mentais.

Logo, como em qualquer outra parafilia – e digamos que se entende parafilia como alguém que tem interesses sexuais atípicos – em situações como a presente, falamos de compulsões repetidas que devem sempre ser analisadas e entendidas, por forma a que esse mesmo ser humano viva sem a presença das mesmas, de um modo mais adequado, saudável ou melhor dizendo, assertivo.

Existe ainda quem defenda, pelas dificuldades suprarreferidas, que a atração sexual por animais – uma preferência – é  para alguém considerado “louco”, porém, bem diferente de uma situação única e passageira, onde apenas por uma questão utilitarista – como começou logo por defender na sua teoria inicialmente o filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham – e de necessidades fisiológicas levam a perpetrar tal ato hediondo – ou seja, um ato de bestialidade.

Outra verdade, é que, quer uma situação quer outra, acarreta geralmente dano para o animal em questão o que para além de abusivo não existe qualquer decisão das duas partes, e encarado pela sociedade, e pelo ordenamento jurídico em vigor, como maus tratos a animais.
Mas igualmente importante, não se trata apenas de um mau trato a um terceiro, neste caso a um animal. Quem pratica tais comportamentos, também provoca. a si mesmo, danos a nível da sua saúde e integridade física.

A nível de saúde, se desde logo à partida os mesmos continuam num campo de perceção distorcida, quer pelo ato que provocam, quer pela ausência de capacidade em avaliar os danos que daí advém, também a nível de saúde física, tais comportamentos podem vir a provocar problemas sérios, levando-os mesmo em certas circunstâncias a contrair doenças graves que provoquem a própria morte.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre estas doenças, encontra-se a brucelose – doença bacteriana -, leptospirose – doença viral -, hidatidose – doença parasitária –, assim como também perfurações, hemorragias, ruturas das mucosas e cancro.

Tomando em conta o contacto com as mucosas e as secreções dos animais, assim como também, a reação dos animais perante esta prática no momento de procurar defender-se de um modo protetório ou agressivo a tais práticas, são outros aspetos comuns analisados na clínica médica como resultado destes episódios.
Assim, e apesar de nos dias atuais continuar a indignar grande parte das
pessoas, a realidade é que desde tempos muito remotos, na história das civilizações humanas, tais práticas se observaram.

Não é necessário ir a civilizações cruciais para o pensamento ocidental para demonstrar isso, onde por exemplo o próprio Zeus assumiu a forma de um cisne para seduzir Leda à noite, prova de tal bestialidade, ou até presente nos quadros de Forberg (1900), na tela XVII de “De Figuris Veneris” onde um homem na Grécia Antiga sodomizava uma cabra.
Isto porque, e até faz pouco tempo, ainda era discutido e manifestado por determinados grupos o direito a tais práticas – como é o caso do grupo alemão de defesa dos zoófilos – ZETA – que após uma lei que proibia a zoofilia em 2013 na Alemanha, os mesmo organizaram uma marcha que cruzaria a Berlin Street em defesa de tais interesses.

Em jeito de conclusão, e recaindo a reflexão que sempre atos desta natureza condicionam o próprio bem-estar humano e a sua saúde, uma determinada distorção mental da realidade não é menos grave que uma determinada doença física, pelo que cuidar da saúde mental e do próprio corpo é o maior ato de amor que o ser humano pode manifestar.

*Com Leybi Cáceres ( Médica Legista)

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