Aceitando o repto do Município de Gouveia, o grupo teatral Escola Velha mergulhou com entusiasmo na criação de um espetáculo que homenageasse a língua portuguesa, tendo como ponto de partida o legado literário de Vergílio Ferreira, filho ilustre da cidade.
Mas a proposta foi além: “Canção Para Enganar a Morte” amplia essa homenagem ao incorporar os universos literários de dois outros grandes nomes ligados à região serrana — Aquilino Ribeiro, nascido em Sernancelhe, e Eugénio de Andrade, natural da Póvoa de Atalaia, no Fundão. Três vozes ímpares da literatura portuguesa, unidas não só pela amizade, mas também pelas raízes beirãs e pela profunda ligação à terra natal.
O espetáculo transforma-se assim num tributo coletivo à riqueza e diversidade da língua portuguesa, tecido pelas palavras de autores cuja obra atravessa o tempo e continua a ressoar com atualidade, emoção e profundidade.

A narrativa da peça gira em torno de um casal dividido por tensões e desejos contraditórios: ele, inquieto, quer partir; ela, resistente, deseja permanecer. Este conflito — entre mudança e estabilidade, entre o impulso de romper e a vontade de preservar — é explorado de forma poética e simbólica, cruzando referências literárias aos três autores homenageados. Ao longo do espetáculo, o público é conduzido por uma viagem emocional e intelectual, onde ficção e realidade se confundem, e onde a linguagem emerge como território de confronto, revelação e eventual conciliação.
A autoria do texto é de Ricardo Fonseca Mota, escritor nascido em Sintra em 1987, criado em Tábua e formado em Psicologia pela Universidade de Coimbra. Vencedor do Prémio Literário Agustina Bessa-Luís com o romance de estreia Fredo (2015), foi semifinalista do Prémio Oceanos em duas ocasiões e representou Portugal na 17.ª edição do Festival do Primeiro Romance, em Budapeste. Entre as suas obras contam-se também As aves não têm céu (Prémio Ciranda 2021), Germana, a begónia (2019), A mão e a grandeza (2023) e Almagre (2024). Além da escrita, é psicólogo clínico e promotor cultural, assumindo-se como uma das vozes mais promissoras da literatura e dramaturgia portuguesa contemporânea.
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