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Domingo, Fevereiro 15, 2026

Resistência abriu o ano no Coliseu do Porto com casa cheia e canções novas

A comemorar 35 anos de carreira, os Resistência subiram no sábado ao palco do Coliseu do Porto Ageas para um concerto esgotado que reafirmou a sua relevância artística e afetiva no panorama musical português.

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O emblemático Coliseu do Porto Ageas, símbolo maior da vida artística da cidade, viveu, na noite de sábado, um daqueles momentos que ficam gravados na memória coletiva. Os Resistência subiram ao palco para celebrar a música portuguesa, transformando a sala num coro gigante que atravessou décadas de canções, diante de uma plateia fiel e numerosa.

Resistência. Foto: ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

O concerto, integrado nos Concertos de Ano Novo, assinala neste início de 2026 não apenas a força do grupo, mas também o arranque das celebrações dos seus 35 anos de projeto, trouxe à Invicta um alinhamento irrepreensível, juntando em palco algumas das vozes mais reconhecidas da música portuguesa. Durante cerca de duas horas, desfilaram temas que fizeram história e que continuam a ser cantados por diferentes gerações.

A sala principal apresentava-se com lotação esgotada, juntando gerações diversas, dos que acompanharam a Resistência desde as primeiras gravações aos que só mais tarde descobriram o projeto. Pontualmente às 21h30, o coletivo de vozes e guitarras subiu ao palco, onde desde logo se percebeu que este não seria apenas mais um concerto, mas um reencontro de afetos, memórias e comunhão musical. Mal soaram os primeiros acordes acústicos, a plateia do Coliseu percebeu que a noite seria de entrega total. O supergrupo, que continua a provar que a união de talentos individuais pode criar algo maior que a soma das partes, trouxe um alinhamento que é, na verdade, a banda sonora de Portugal.

A noite abriu com a energia de “Alegria” e “Fado”, estabelecendo logo o tom de cumplicidade que marcaria todo o espetáculo. O alinhamento, cuidadosamente desenhado para percorrer a história do projeto, destacou a versatilidade dos seus protagonistas. Miguel Ângelo emocionou a plateia com “A Gente Vai Continuar”, enquanto Olavo Bilac deu voz à icónica “Cantiga de Amor”.

Resistência. Foto: ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

O público reagiu de imediato à abertura com temas imortalizados em arranjos acústicos, característicos da formação que, desde os anos 90, tem vindo a reinterpretar repertório fundamental da canção portuguesa.

Entre os momentos mais marcantes da noite estiveram as novas canções, apresentadas pela primeira vez ao vivo. Os inéditos foram recebidos com curiosidade e entusiasmo pela plateia — uma reação que confirma que a Resistência não é apenas um projeto nostálgico, mas uma entidade artística viva, com atividade criativa e atenta ao presente sem renegar a sua identidade.

A força do coletivo

No seu habitual formato, a Resistência voltou a afirmar uma ideia que se mantém intacta desde o início: a força está no coletivo. A multiplicidade de vozes, timbres e personalidades cria uma sonoridade que dificilmente encontra equivalente no panorama nacional. Os arranjos, centrados nas guitarras acústicas, sustentam interpretações que equilibram emoção e delicadeza, sem necessidade de artifícios cénicos ou tecnologia excessiva.

Do “Circo de Feras” ao brilho final

A reta final do concerto foi uma sucessão de momentos de alta voltagem emocional. Tim trouxe a força de “Circo de Feras” e a irreverência de “Que Parvo Que Eu Sou”. Já Fernando Cunha liderou o Coliseu num dos refrãos mais esperados da noite: “Não Sou o Único”.

O espetáculo culminou de forma apoteótica com a “Marcha dos Desalinhados” e o inevitável “Nasce Selvagem”, deixando o público do Porto rendido a uma banda que, 35 anos depois, continua a ser a voz de um país, provando que estas canções ultrapassaram há muito o domínio da autoria para entrarem no território do património afetivo.

A mestria das guitarras acústicas e a harmonia das vozes de nomes que dispensam apresentações — como Tim, Olavo Bilac e Miguel Ângelo — mantêm a frescura de outrora, provando que estas canções são imunes à passagem do tempo.

Resistência. Foto: ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

O Norte primeiro, depois Lisboa

O concerto de sábado reforça um padrão que já se tornou habitual: a Resistência começa o ano no Norte, frequentemente no Coliseu do Porto, antes de rumar à capital. Este gesto simbólico, repetido ao longo dos últimos anos, tem sido lido tanto como homenagem ao público portuense, como reconhecimento da importância histórica da cidade na trajetória do coletivo.

Após a noite no Porto, a banda segue agora para Lisboa, onde retomará as comemorações dos seus 35 anos, com novo concerto nos Coliseus.

Resistência. Foto: ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

Memória, pertença e futuro

Os prolongados aplausos finais e o público de pé confirmaram a força de um projeto que, ao fim de mais de três décadas, mantém relevância artística, afetiva e cultural. Num tempo em que a efemeridade domina a produção musical, a Resistência lembra que há obras que resistem — no tempo e na memória — quando há cuidado, respeito e partilha.

A noite de sábado no Coliseu do Porto não foi apenas um concerto: foi um momento de pertença coletiva e um dos primeiros grandes gestos culturais deste início de ano.

Foto: ANTÓNIO PROENÇA | O Cidadão

Resistência
Alexandre Frazão – bateria
Fernando Cunha – voz e guitarra de 12 cordas
Fernando Júdice – baixo elétrico
José Salgueiro – percussão
Mário Delgado – guitarras
Miguel Angelo – voz
Olavo Bilac – voz
Pedro Jóia – guitarra clássica
Tim – Voz e guitarra de 6 cordas

Alinhamento Completo (Setlist):
  1. Alegria
  2. Fado
  3. A Gente Vai Continuar (Miguel Ângelo)
  4. Cantiga de Amor (Olavo Bilac)
  5. Amanhã é Sempre Longe Demais (Fernando Cunha)
  6. Zorro (Tim)
  7. Timor (Tim + Fernando)
  8. Mudam-se os Tempos… (Miguel + Olavo)
  9. Maré Alta (Fernando)
10. Aquele Inverno (Olavo)
11. Circo de Feras (Tim)
12. Um Adeus Português (Miguel)
13. Se Te Amo (Fernando)
14. Não Voltarei a Ser Fiel (Miguel + Tim)
15. Um Lugar ao Sol (Miguel + Olavo)
16. Noite (Tim + Fernando)
17. Não Sou o Único (Fernando)

Encore

18. Vida Tão Estranha (Olavo)
19. Que Parvo Que Eu Sou (Tim)
20. Marcha dos Desalinhados
21. Nasce Selvagem

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