North Festival 2026: Três dias de memórias eternas na Cidade Desportiva da Maia

Da emoção dos Snow Patrol à surpresa de Liniker, passando pelo triunfo dos Europe e pelo encerramento épico dos The Cure perante 40 mil pessoas — a sétima edição do North Festival ficará na história.

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A Cidade Desportiva da Maia acolheu, entre 5 e 7 de junho, a sétima edição do North Festival. O novo recinto — mais espaçoso, mais acessível e com melhores condições do que as anteriores localizações — recebeu ao longo dos três dias dezenas de milhares de festivaleiros num evento que voltou a afirmar o Norte de Portugal como palco de referência da música ao vivo. A organização esteve a cargo da promotora Vibes & Beats, liderada por Jorge Veloso.

Dia 1 — 5 de junho: Entre o culto dos Ornatos e a emoção dos Snow Patrol

O festival abriu as portas ao final da tarde com os primeiros concertos no Palco JN “Rock à Moda do Porto” — um espaço dedicado às bandas emergentes portuguesas, escolhidas por votação pública com mais de 30 mil participantes. A Menta abriu as hostilidades, seguida pelos Davi Days e pelos Filhos da Pátria, que aqueceram o recinto antes da noite grande.

 

O palco principal foi inaugurado pelo Luís Trigacheiro, acompanhado pelos Átoa, que trouxe cante alentejano e fado para ambientar a noite.

 

A grande aguardada do primeiro dia era, para muitos, o regresso dos Ornatos Violeta. E a banda liderada por Manel Cruz não desiludiu. Acompanhados por um quarteto de cordas da Orquestra Sinfónica da Casa da Música, os Ornatos percorreram os temas que construíram o seu estatuto de culto, com particular destaque para os clássicos de O Monstro Precisa de Amigos. O pico de emoção chegou com “Ouvi Dizer”, que transformou o recinto num coro coletivo. Manel Cruz — carismático e bem-humorado como sempre — brincou com a dimensão do público comentando que “tocar para uma arena vazia é uma evidência, mas é uma alegria”, antes de encerrar o concerto ligeiramente antes do previsto devido a problemas técnicos.

Para fechar a noite, os irlandeses Snow Patrol assumiram o palco principal às 23h30 e lembraram porque continuam a ser uma das bandas mais eficazes na arte de fazer uma arena cantar em uníssono. Gary Lightbody assumiu o papel de mestre de cerimónias emocional, conduzindo o público por uma noite de hinos geracionais. A qualidade do som esteve entre os pontos mais elogiados da atuação, e o vocalista não escondeu a sua ligação ao Norte de Portugal, chegando mesmo a confessar que um dia poderia imaginar-se a viver por aqui.

Dia 2 — 6 de junho: Liniker encanta, The Waterboys surpreendem e os Europe dão uma aula

O segundo dia trouxe um ambiente mais composto e uma programação ainda mais variada. O Palco JN “Rock à Moda do Porto” recebeu mais três bandas emergentes: os Vulcões Semi Porreiros abriram a tarde, seguidos pelos Pilot e pelos Times of Trouble, que animaram o recinto antes da noite grande no palco principal.

Liniker foi, talvez, a maior surpresa do festival. A artista brasileira protagonizou uma das atuações mais tecnicamente impressionantes desta edição. Desde os primeiros minutos ficou claro que estávamos perante uma intérprete de enorme dimensão: afinação irrepreensível, controlo vocal notável e uma presença de palco magnética. A banda que a acompanha esteve ao mesmo nível — o trio de sopros acrescentou uma riqueza tímbrica raramente vista num festival deste género, e houve até um momento de cumplicidade entre dois músicos a partilhar o mesmo órgão que arrancou aplausos espontâneos. Uma atuação que ficará na memória de quem esteve lá.

The Waterboys apresentaram um concerto competente, mas que ficou abaixo das expectativas de uma parte do público. A ausência de “The Whole of the Moon” — um dos maiores clássicos da banda e uma das músicas mais associadas à promoção do próprio festival — causou estranheza e comentários entre os presentes. Não foi um mau concerto, mas ficou incompleto.

A fechar a noite, os suecos Europe dissiparam qualquer dúvida sobre a sua relevância em 2026. Desde a abertura com “On Broken Wings”, o grupo estabeleceu o tom de uma atuação poderosa, emotiva e tecnicamente impecável — provavelmente o concerto mais sólido e empolgante do festival até ao momento. Uma verdadeira aula de rock.

Dia 3 — 7 de junho: 40 mil pessoas e os The Cure a fechar com glória

O terceiro e último dia foi o mais aguardado — e o único esgotado. O Palco JN “Rock à Moda do Porto” acolheu as últimas três bandas do concurso de talentos: Os Defera, Ordenado Mínimo e  Os Tua encerraram o palco de emergentes com a energia que caracterizou toda a programação deste espaço ao longo dos três dias.

No palco principal, os Linda Martini abriram a noite às 19h20 com a intensidade que os define — um pé no punk, outro no hardcore, e o álbum Passa-Montanhas (2025) como prato forte.

Seguiram-se os escoceses Mogwai às 20h50, mestres das paisagens sonoras pós-rock, que transformaram o recinto numa experiência imersiva e hipnotizante.

Às 22h45, Robert Smith e os The Cure subiram ao palco perante uma Cidade Desportiva da Maia completamente lotada — 40 mil pessoas — no regresso da banda a Portugal sete anos após o último concerto. A energia era outra desde o início da tarde: as filas formaram-se logo à abertura das portas às 16h00, com fãs de camisola preta a correr para garantir lugar na frente. Durante 2h30 de concerto, até à 01h15, os britânicos conduziram o público por uma viagem pela sua discografia de quase cinco décadas, misturando a medula gótica da sua identidade com os grandes hinos que atravessam gerações — de “A Forest” a “Friday I’m in Love”, passando por “Just Like Heaven” e “Boys Don’t Cry”. Robert Smith resumiu a noite à beira da despedida: “Esta noite foi uma grande diversão… misturada com terror.”



A sétima edição do North Festival, confirmou a aposta num recinto mais amplo e numa filosofia que distingue o evento da concorrência: concertos completos, sem os habituais limites de horário dos festivais. Uma fórmula que claramente funcionou — e que deixa a fasquia ainda mais alta para 2027.

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