Assusta-me o estado a que chegamos. Confesso.
Assusta-me quando o líder da maior potência económica mundial anexa um país, ainda que, alegadamente, por razões ligadas ao combate ao narcotráfico, violando, assim, as mais elementares regras do Direito Internacional. Assusta-me quando esse líder enobrece as grandes e “belas” riquezas do país entretanto anexado, referindo-se explicitamente ao petróleo e ao dinheiro que com ele pode ganhar. Assusta-me o absoluto desprezo desse líder mundial em relação aos mais básicos e elementares valores que devem ou deveriam orientar a conduta entre os homens e entre as nações, como a solidariedade, o respeito e a tolerância perante a diversidade. Assusta-me que esse líder tenha sido democraticamente eleito, deixando a nu as fragilidades dos sistemas democráticos. Assusta-me o silêncio das Nações e, em particular, das Nações Unidas.
Sei que no século XV Portugal e Espanha assinaram um Tratado: o Tratado de Tordesilhas. Mediante este tratado dividia-se o “mundo descoberto e por descobrir” por um meridiano a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, dando a Espanha as terras a oeste e a Portugal as terras a leste.
Assusta-me regressar ao passado.
Assusta-me pensar que não aprendemos com os erros e que a História se repete, ainda que, com outros protagonistas. Assusta-me a ideia de que, nas Ciências Humanas, não há progresso.







