“Em Lisboa hoje já vamos em quatro cancelamentos”, afirmou o dirigente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e Afins (SIMA) Carlos Araújo, acrescentando que, “na escala do Porto, há 10 anos que não havia greves e há pessoas a fazer greve”.
A agência Lusa tentou também obter informações sobre o impacto da paralisação junto da gestora aeroportuária ANA – Aeroportos de Portugal, mas tal não foi possível até ao momento.
Segundo o dirigente do SIMA, “em Lisboa, ontem, sexta-feira; às oito da noite , deveriam estar ao serviço 20 oficiais de placa e estavam quatro”.
Carlos Araújo antecipa também que hoje sejam ainda mais os voos que partem apenas com passageiros sem bagagem nem carga, depois dos 25 em que tal aconteceu até às 18:00 de sexta-feira.
Em comunicado, o sindicato acusa ainda a SPdH/Menzies de estar “a violar flagrantemente o direito à greve” para tentar “neutralizar os efeitos da paralisação”, recorrendo a “práticas ilegais” como a “antecipação forçada de turnos e convocação de trabalhadores em dias de folga”, a “substituição de grevistas por trabalhadores de empresas de trabalho temporário” e a “reorganização abusiva de escalas”.
“O SIMA está a recolher provas destas ilegalidades e vai apresentar queixas formais à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e ao Ministério Público, exigindo a responsabilização dos dirigentes da Menzies/SPdH”, refere.
De acordo com o dirigente sindical, para “um pequeno sindicato que tem 4%” dos aproximadamente 3.600 trabalhadores da Menzies, o balanço é que a greve está a ser, “a todos os níveis, um sucesso”.
“Não nos congratulamos com o que está a acontecer. Mas, em termos de organização e mobilização, sim. Pela primeira vez há greve no Porto”, enfatizou.
Convocada pelo SIMA e pelo Sindicato dos Transportes (ST), o protesto iniciou-se às 00:00 de sexta-feira e prolonga-se até às 24:00 de segunda-feira.
Trata-se da primeira de cinco greves de quatro dias marcadas para os fins de semana até ao início de setembro.
Em agosto, os períodos de greve estão agendados para 8 a 11, 15 a 18, 22 a 25 e 29 de agosto a 1 de setembro.
Entre as reivindicações dos trabalhadores estão o fim de salários base abaixo do salário mínimo nacional, o pagamento das horas noturnas, melhores condições salariais e a manutenção do acesso ao parque de estacionamento nos mesmos moldes anteriores.
“O passageiro pode levar a bordo tudo o que puder carregar. E isso vai entupir as bagageiras, vai atrasar os embarques e vai pôr em causa a própria segurança do avião”, sustentou.
O Tribunal Arbitral determinou serviços mínimos para a assistência a todos os voos relacionados com situações críticas de segurança, voos de emergência, militares, de Estado e voos da TAP em ‘night-stop‘ em escala europeia, bem como ligações regulares entre Lisboa e os Açores e Madeira, e entre o Porto e os arquipélagos.
OC/AJS














