Centro Comercial Stop classificado como monumento de interesse municipal

O Centro Comercial Stop, no Porto, foi oficialmente classificado como monumento de interesse municipal, consolidando-se como símbolo cultural e musical da cidade. A decisão foi publicada esta segunda-feira em Diário da República e estabelece uma zona de proteção de 50 metros ao redor do edifício.

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O Centro Comercial Stop, um dos epicentros da cena musical portuense, acaba de receber a classificação de monumento de interesse municipal, segundo um edital publicado esta segunda-feira, 28 de julho, em Diário da República. A decisão, tomada por unanimidade pela Câmara Municipal do Porto em fevereiro deste ano, reconhece o valor cultural, arquitetónico e simbólico de um edifício que atravessou diversas transformações funcionais e sociais.

O edifício, que começou por ser a Estação de Serviço Austin (1949-1955), foi posteriormente transformado num centro comercial e, mais recentemente, refundado enquanto espaço cultural alternativo, servindo como sala de ensaio e estúdios para centenas de músicos.

Segundo o edital, assinado pelo presidente Rui Moreira, o Stop representa “um símbolo inegável do cenário musical portuense, tido como um dos exemplos mais particulares da produção e dinâmica musical na Europa”. A decisão de classificação destaca ainda a singularidade arquitetónica do edifício de estética moderna e a capacidade de adaptação da sua planta livre, que permitiu uma apropriação invulgar do espaço, de garagem a espaço criativo.

O texto refere-se à “unicidade obtida por uma matriz de evolução ímpar e benefício mútuo”, sublinhando o Stop como um fator identitário portuense que merece “destaque materializado no volume da antiga estação de serviço”.

A história recente do Stop também é marcada por momentos de tensão: em julho de 2013, a Polícia Municipal selou 105 das 126 lojas, afetando mais de 500 músicos e comerciantes. Após intensa contestação, o edifício reabriu a 4 de agosto desse ano com a presença contínua de bombeiros no local — presença que só cessou em julho de 2024, após garantias de segurança.

Como alternativa à sua possível desativação, a autarquia apresentou a Escola Pires de Lima para acolher os músicos. Em janeiro, foi anunciado que o concurso para a criação de novos estúdios nesse edifício será lançado no segundo semestre de 2025.

Com esta classificação, a Câmara do Porto afirma que a medida representa “uma mais-valia enquanto testemunho temporal, material e imaterial de anteriores processos edificatórios e socioculturais”, consolidando a importância do Stop na memória coletiva da cidade.

OC/RPC/LUSA

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