Aprender a governar o dinheiro é evitar ser governado por ele – Por Rui Rodrigues

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Estive na apresentação do programa da candidatura da AD porque o MPT – Partido da Terra, partido onde desempenho funções como Secretário Distrital de Leiria, decidiu, com toda a responsabilidade que o momento exigia, dar o seu apoio político e institucional a essa candidatura. Fizemo-lo não pelo cálculo de lugares ou pela procura de protagonismo, mas porque acreditámos, e eu próprio continuo a acreditar, que o país precisava dessa convergência, desse compromisso. Fui, pois, não como simples espectador mas como alguém que carrega ativamente o dever para com o futuro coletivo e que leva a sério o peso da palavra “sustentabilidade”, não apenas no sentido ambiental que tanto nos caracteriza, mas na sustentabilidade moral, financeira e social que garante o amanhã.

Lembro-me perfeitamente do instante em que o Dr. Luís Montenegro anunciou a literacia financeira obrigatória nas escolas e a proibição de telemóveis no primeiro e segundo ciclos. Sem hesitação, um aplauso imediato, entusiástico, braços erguidos em reconhecimento quase visceral de que se estava ali a tocar na raiz do que tem falhado em Portugal. Senti isso como cidadão, como dirigente partidário, como consultor especialista em gestão estratégica que vê todos os dias os trágicos resultados da nossa sociedade que nunca foi educada para lidar com o dinheiro, nem para cultivar a disciplina mental que isso exige.

A minha vida é passada em reuniões com empresários e com equipas de gestão que tropeçam não pela falta de visão, mas porque lhes faltou, na base, o conhecimento para não confundirem as receitas com os lucros, a liquidez com a rentabilidade, ou as dívidas com a saudável expansão. Vejo-os a assinarem contratos que mais tarde poderiam efetivamente transformar-se em problemas legais tremendos, a acreditarem no crédito fácil sem compreenderem o preço e a importância dos juros compostos, a julgarem o IVA como dinheiro disponível.

Tudo isto não pode começar aos trinta. Tudo isto deve começar aos sete, quando uma criança pode aprender a planear um orçamento tal como aprende a ler ou a fazer contas.

Quem não governa o dinheiro, é governado por ele. Infelizmente,

o peso desta servidão aparece demasiado tarde, quando já hipotecou a tranquilidade familiar, a casa ou a própria dignidade.

Por isso foi tão importante para mim, enquanto pai, enquanto profissional que trabalha a estratégia empresarial, ouvir aquelas simples medidas. E ainda mais importante tem sido ver que não ficaram presas na retórica eleitoral. Estão a ser realmente cumpridas, estão a ser regulamentadas, estão a ser integradas nos currículos e nos regulamentos das escolas. Ao proibir telemóveis nestas idades, não estamos a negar o futuro. Estamos a prepará-lo. Porque o foco é músculo, a presença é virtude e o carácter não se constrói em intermináveis atualizações das redes sociais.

Sei o que digo. Vejo jovens chegarem ao mercado com diplomas irrepreensíveis mas incapazes de sustentar cinco minutos de atenção sem o consolo do deslizar de dedo. Não suportam o silêncio do raciocínio, não aguentam o desconforto da reflexão. E isto tem custos incalculáveis para as empresas e para o nosso país.


Tenho a convicção de que Portugal não precisa de reformas espetaculares para ser melhor. Precisa de bom senso aplicado com método, todos os dias, até se tornar parte do coletivo que constitui a nossa sociedade. E ver essas promessas transformarem-se em medidas concretas, perceber que estivemos certos ao dar esse apoio político e institucional, anima-me como dirigente, como consultor e, acima de tudo, como pai.

Porque a liberdade aprende-se na infância. E quem a promove merece o meu respeito.

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