Nas últimas eleições legislativas em Portugal, a esquerda obteve cerca de 33,5% dos votos — uma expressão clara da vontade popular. A maioria dos portugueses escolheu caminhos diferentes, afastando propostas que durante anos procuraram afirmar-se como a única via moralmente legítima. Ainda assim, mesmo em minoria, setores da esquerda continuam a proclamar que “a democracia está em perigo”. Mas estará mesmo em risco a democracia — ou apenas a sua hegemonia ideológica?
Democracia não é apenas o direito de votar — é, sobretudo, o dever de respeitar o resultado das urnas. Quando uma força política recusa aceitar que a maioria dos cidadãos rejeitou o seu projeto, e tenta retratar essa escolha como um retrocesso civilizacional ou uma ameaça autoritária, o que está realmente em perigo não é a saúde da democracia, mas sim a frustração de quem perdeu protagonismo político e o espírito democrático.
É contraditório — e até antidemocrático e perigoso — que quem não convenceu a maioria queira impor à sociedade uma visão política que esta rejeita. Acusar de “ameaça à democracia” qualquer governo que não se alinhe com uma determinada cartilha ideológica revela uma tentação autoritária mascarada de superioridade moral. O verdadeiro autoritarismo ou risco para a democracia, não vem de quem vence eleições com o voto do povo, mas de quem, tendo perdido, insiste em deslegitimar a vontade popular, ou seja, a escolha democrática da maioria.
A democracia portuguesa está bem viva — e mostrou isso ao afastar propostas e projetos radicais que, em nome de ideais utópicos, por vezes colidem com liberdades individuais, propriedade privada, diversidade de pensamento e o próprio pluralismo político. O eleitorado português falou. O respeito por essa decisão não é apenas uma questão de civilidade política — é o mínimo exigível em qualquer democracia saudável e um requisito fundamental para a convivência num regime livre e plural.
Fotógrafo/Editor/Engenheiro Eletrotécnico







