Na maravilhosa selva, onde a relva é sempre fresca e verde, os animais convivem em harmonia. Ali vivem amigos de todos os tamanhos e, assim, felizes, os anos vão passando.
Pachá era um elefante grandinho, volumoso e cheinho, com uma tromba longa e elegante que balançava como um baloiço e um sorriso gentil.
Rajá, o tigre, era hirto, esguio e voluptuoso, com riscas pretas que brilhavam ao sol e um passo rápido como o vento, embora um pouco solitário.
Um dia, enquanto caminhavam pelas veredas da selva, Rajá olhou para Pachá e não se conteve.
— Olá, meu elefante gigante, o que fazes por aqui hoje? Vens ver se há algum menino ou menina para brincares?
Pachá respondeu:
— Olá, senhor tigre livre. Estás bom?
Rajá respondeu:
— Estou ótimo e, por isso, vim passear e observar esta bela paisagem da nossa rica selva, repleta de lindas árvores e da tão fresca relva. Ó Pachá, o que se passa contigo para estares tão volumoso? Assim ficas mais lento, pareces uma montanha ambulante! Como consegues mover-te com esse peso todo? Eu sou elegante e sinto-me livre e rápido; corro sem parar e ninguém me agarra!
Pachá parou, balançou a sua comprida tromba com graça e respondeu com um sorriso doce:
— É verdade, Rajá, sou cheinho de amor, por isso sou volumoso. Mas a minha tromba é muito elegante e sabe abraçar como ninguém! Ela enrola-se nos amigos, afaga as folhas e faz festinhas a todos. Tu és belo e veloz, mas às vezes pareces frio, sem dar um abraço amigo.
Rajá riu alto, mas no fundo pensou baixinho:
“Sou realmente esguio e veloz, contudo não tenho tantos carinhos como este elefante grande!”
Ele era livre, sim, mas sozinho nas suas corridas.
Pachá, lento mas afetuoso, tinha o coração cheio de amigos, um animal atento e fofo.
E Rajá afirmou:
— Bem, Pachá… talvez a tua tromba tenha razão. Vamos dar as patinhas e passear juntos?
E assim fizeram.
O elefante de tromba elegante e o tigre raiado e livre deram as patinhas a cumprimentar. Fizeram as delícias de todas as crianças da selva, a passear lado a lado.
Pachá e Rajá tornaram-se um exemplo perfeito da diferença: um de peso e carinho, outro leve e independente como o vento. Diferentes, mas juntos, no mesmo sentimento de amizade verdadeira. E provaram que, no fundo, o importante é a essência de cada um e não a aparência. Assim, contribuem para uma excelente convivência no mundo.

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