21. Quando Abrir os Olhos é um Ato de Coragem

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Esta semana voltei ao hospital de dia do IPO. Voltei à quimioterapia, a uma rotina dura que abranda as horas e pesa nos pensamentos.

É mais uma etapa neste caminho exigente, mais uma batalha travada dentro do meu próprio corpo, longe dos olhares, mas sentida em cada gesto, em cada respiração.

Desta vez, os médicos reduziram a dose dos anticorpos para proteger melhor a pele do meu rosto. Ajustes pequenos, mas cheios de significado. Num tratamento como este, cada cuidado é uma forma de preservar a dignidade, de proteger aquilo que a doença tenta desgastar. Mas o corpo fala sempre, e desta vez falou através dos olhos.

Acordo e o dia não entra de imediato. As pálpebras estão coladas, pesadas, como se a noite se recusasse a partir. É preciso soro, tempo e paciência. Deixar amolecer devagar, colocar as gotas, esperar… só depois consigo abrir os olhos. Como se cada manhã me pedisse coragem.

Ao espelho, vejo marcas esbranquiçadas à volta dos olhos. Vestígios de uma luta que não dá tréguas. Nunca me tinha acontecido. É estranho, é desconfortável, é duro aceitar que o tratamento também nos transforma por fora.

Mas há algo que permanece intacto.

Eu continuo aqui.


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