
Autógrafos, abraços, selfies ou simples sorrisos e saudações, são tarefa difícil para os adeptos do FC Porto terem, por parte dos seus jogadores, ao longo da época; esta tarde, 1 de janeiro de 2026, voltaram a ter tudo isso, num treino aberto, prática que tinha sido suspensa, mas que voltou. Os sócios, com certeza, agradecem. E os jogadores, provavelmente, também. É uma proximidade salutar.
Foi dia de festa, no Dragão. O presidente, André Villas-Boas, o treinador Farioli e, principalmente os jogadores, sentiram, de perto, o apoio dos muitos – cerca de 30 mil – fiéis adeptos do clube da Invicta. Esta era uma prática habitual do emblema “azul e branco”, mas suspensa há alguns anos.
A notícia, veiculada pela imprensa britânica, de que o Chelsea quer contratar Farioli de imediato (sujeito ainda a confirmação, claro) para substituir Maresca, não esmoreceu os portistas e, muito menos o técnico italiano que afirmou “seguimos juntos, viva o FC Porto”, quando chegou a sua vez de dirigir-se aos adeptos, através da instalação sonora.
Luuk de Jong, vítima de uma lesão grave, esteve presente. Apesar de apoiado em duas canadianas, foi operado há poucas semanas, acompanhou o treino no relvado. E foi bastante ovacionado pelo público. O atleta retribuiu com gestos de agradecimento e sorrisos.

Foi um treino ligeiro, simbólico, e que que terminou com jogadores e adeptos a cantarem, juntos, o hino do clube.
Outros tempos
É verdade que hoje é muito difícil aos adeptos (e aos jornalistas) terem um contato privilegiado com os atletas. Os treinos decorrem nos centros de formação e à porta fechada.
Mas nem sempre assim foi. Os mais novos não sabem, mas, antes de o futebol ter-se aburguesado, transformado em indústria, a maioria dos treinos decorriam de porta aberta, nos campos de treino que havia junto aos seus estádios.

Assim era no FC Porto, no campo de treinos que havia atrás da arquibancada do Estádio das Antas (antes era no próprio estádio), ou nos que foram, mais trade, construídos à volta.
As tardes dos reformados, dos jovens que não tinham aulas, ou nas férias, eram aproveitadas para ir à Antas ver a equipa. “Onde vais?” – “Vou ver o treino”, era uma pergunta/resposta habitual naqueles tempos. E o contato público/jogadores, permanente. Conversavam, ouviam reclamações por parte dos adeptos mais exigentes e um autógrafo era muito fácil de obter. Os futebolistas tinham de sair do campo de treinos, passar pelo meio das pessoas presentes, até chegarem à porta que dava acesso ao departamento de tutebol, onde estavam os vestiários, situado uns 50 metros acima.
Os jogadores estavam habituados a esta rotina e os adeptos também. Respeito mútuo. Não havia assédio, amontoados de gente. Respeitava-se o espaço de cada um. E o contato era algo normal.
Para nós, jornalistas, era muito bom. Não eram colocados obstáculos ao nosso trabalho. Falavamos diretamente com quem queríamos e que aceitasse prestar declarações para o orgão de comunicação social onde trabalhávamos.

Às vezes, breves minutos entre o campo de treino e os vestiários era suficiente. Se fosse necessária uma conversa maior, tínhamos o contato telefónico do jogador e da sua casa. É verdade! Hoje parece surreal, eu sei.
Por volta dos anos 80, recordo-me de breves conversas com João Pinto, Rui Águas, Rui Barros, Rodolfo, Lima Pereira, Inácio, Costa, Sousa, entre muitos outros. E com os treinadores José Maria Pedroto, António Morais, Herman Stessl, Artur Jorge ou Ivic. Assim, de forma simples, direta, aberta, sem a pressão dos gabinetes de comunicaço que hoje nos fecham as portas.
E também recordo as entrevistas em casa de Eurico, Fernando Gomes, Futre, Madjer ou Walsh. Combinado diretamente com eles. Por telefone ou pessoalmento, no final de um treino. Ou num hotel onde estagiassem ( habitual com os jogadores da seleção nacional)
Impensável, hoje em dia. Por muitos e variados motivos.
Embora o “futebol-máquina” trate os adeptos com alguma sobranceria, às vezes desprezo, é de extrema importância para os adeptos, verem as portas dos seus estádios abertas e poderem estar perto dos seus ídolos. Nem que seja uma vez por ano. Os adeptos merecem. E os jogadores também.
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Gonçalo Bravo (Fotos)
Jornalista














