Será que o poder das democracias está mais enfraquecido? o caminho alternativo a este ciclo? Partidos da governação estão a acompanhar as sociedades? O mundo? As transformações digitais?
O resultado eleitoral de 18 de Maio deve servir como indicador para os partidos ganharem juízo, na conjugação de 2 fatores: a existência e a atualização. As extremas na Europa e no mundo, teimam em ganhar espaço eleitoral ora como voto de protesto, ora pelo desespero dos eleitores, cada vez mais afundados em promessas irrealizáveis. França, Espanha, Alemanha, Itália entre muitos mais.
Já se percebeu que as “esquerdas” ou se reinventam ou perdem, definitivamente poder e quotas de mercado. Continua a faltar aos partidos, tecnicamente, na sua evolução, gente capaz de comunicar e/ou de os pôr a comunicar melhor; gente capaz de os projetar de forma igual.
Não tenho interesse suscitar a discussão dos números eleitorais porque são expressivos, com menos abstenção do que o ano de 2024, interessa alertar para o poder dos partidos, em democracia, acertarem o azimute de forma a corresponderem às necessidades do povo. EU está em crise? Os países que a integram, na sua maioria, já viraram os seus ideais e estão alinhados a promessas fáceis e fúteis, mas mesmo assim, os perdedores afirmam “não nos desviamos!”. É o problema, não aceitar novos tempos, novos interesses, novas propostas duma sociedade evolutiva. É uma bacoquice política de impreparados para liderar.
Se uma empresa muda; se as sociedades mudam; se os consumidores mudam…o líder político tem de mudar, sob pena de fomentar a insustentabilidade do sistema democrático.
A democracia é o governo do povo. O poder é a capacidade de deliberar arbitrariamente, agir, mandar e também a faculdade de exercer a autoridade, a soberania. A reflexão que se propõe é a necessidade de o “ter”, como forma para atingir fins pessoais e ou públicos.
Verifico com preocupação que: um país com 2 milhões de pobres; com um elevado índice de corrupção; com elevado número de pessoas em idade avançada; com baixa de natalidade; com uma força produtiva assente em 1,6 milhões de PMEs sendo que, 1,3 milhões são micro e/ou empresas familiares, a questão que se coloca é: como fazer face a este cenário de pouca criação de riqueza? Sabemos que as empresas são o sustento disto tudo e quando os empresários/colaboradores são fustigados com altos impostos, sobre o trabalho, o que fazer, para reverter? Criar riqueza?
Parece simples. A malha fina das eleições são os números: AD somou 32,10% dos votos, enquanto os socialistas obtiveram 23,38% e o Chega 22,56%. Registou-se uma diferença de 48.916 votos entre estes dois partidos que igualam o número de deputados na AR: o cenário de 2025, com dois responsáveis: Marcelo Sousa e António Costa que esvaziou a esquerda e o bipartidarismo, potenciando a extrema do Ventura. “Podemos declarar oficialmente, e com segurança, que acabou o bipartidarismo “alguns apontam. “O povo falou e exerceu o seu poder soberano. No recato da sua liberdade, aprovou, de forma inequívoca, um voto de confiança no Governo, na AD e no primeiro-ministro.” E reforçava “assumo as minhas responsabilidades como líder do partido, como sempre fiz no passado, sempre que achei que deveria assumir responsabilidades, vou, por isso, pedir eleições internas à Comissão Nacional”.
Uma vez mais, António Costa, safou-se. Mas fica no rasto da maior derrota da história da esquerda. Pedro Nuno Santos vai ser tratado como bode expiatório. Lamento, mas não existem meias palavras, ou PS e AD tem juízo e encontram variáveis de governação ou então vamos continuar na senda de mais eleições.

Docente na Atlântico Business School/Doutorado em Ciências da Informação/ Autor do livro ” Governação e Smart Cities”














