Presidente da Câmara de Gaia pondera abandonar o cargo

O autarca foi alvo que vários processos, designadamente o “caso do selo”, o “caso F.C.P.” e o "caso Babel”

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O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, anunciou na sua página de Facebook que pondera abandonar o cargo depois de saber que o procurador do Ministério Público que o acusou de uso pessoal de um veículo municipal é marido de uma autarca e dirigente do PSD.

Sim, é verdade que pondero abandonar o cargo em função dos factos que foram entretanto descobertos e que relato no comunicado. Não vale tudo na política nem na vida”, lê-se no post que o autarca publicou esta noite, onde considerou que é “inaceitável” a “incompatibilidade que pode enquadrar muitas coisas: as histórias inexistentes, os prazos acelerados, os argumentos que foram montados”. 

O autarca que está à frente da Câmara de Gaia desde 2013 publicou também um longo comunicado, no qual faz referência aos vários processos de que foi alvo, designadamente “caso do selo”, o “caso F.C.P.” e o “caso Babel”, responsabilizando, a propósito, a Oposição que considera “gente ressabiada pela derrota que iniciou, desde o primeiro momento, o combate difamatório”. 

No comunicado, o autarca refere que “o Procurador que representou o Ministério Público na acusação em julgamento e na resposta ao Recurso para o Tribunal da Relação do processo em que alegavam a aquisição para uso pessoal de um veículo municipal (coisa falsa, mas julgada com multa de 140€ e… perda de mandato) é casado com uma autarca do PSD de Gaia, alta dirigente do PSD-Gaia e potencial membro da lista do PSD às próximas eleições autárquicas”, o que realça ter sido “denunciado por uma funcionária judicial do Tribunal de Gaia”. 

É evidente que está em causa a idoneidade, a isenção e a credibilidade de todo o processo e das decisões tomadas, está em causa a nulidade do mesmo, bem como um conflito de interesses evidente do dito magistrado e uma inaceitável decisão em causa própria e com claro interesse próprio e pessoal”, escreveu o presidente da Câmara de Gaia, acrescentando que “o Tribunal da Relação alterou parcialmente a decisão, mas não a anulou, até porque a resposta ao Recurso, assinada pela referida pessoa, em representação do Ministério Público, e a sua formulação enviesada criou os obstáculos à única decisão razoável – a total absolvição”. 

O autarca considerou ainda que “neste processo, iniciado com uma carta anónima, foi feito de tudo um pouco: utilização de provas nulas, criação de fatos inexistentes, assunção de interpretações arbitrárias, decisões erradas. E agora esta incompatibilidade objetiva”.

OC/MP

Foto: CM Gaia

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