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Segunda-feira, Fevereiro 9, 2026

19 anos de Clube dos Pensadores : O que ficou por dizer – Por Joaquim Jorge

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Não sei se mereço a honra da vossa presença, mas com toda a certeza o clube merece. Eu sei, que sair à noite, depois de um dia de trabalho, não é fácil. Estou muito contente de estarem aqui comigo.

Vou tecer algumas considerações em causa própria, pois fui eu que fundei este espaço, peço desculpa pela presunção, mas o Clube é a menina dos meus olhos, consigo fazer política sem nunca ter estado na política. É um sítio onde as pessoas aprendem, ensinam e pensam. Tenho a ideia que saem deste espaço, mais informadas e reflectem no que ouviram.

Tenho a noção de que há muito mais gente a fazer coisas muito mais importantes e extraordinárias do que é o Clube, por exemplo, Sobrinho Simões no IPATIMUP.
O Clube dos Pensadores é um espaço livre que oferece um contacto real, uma proximidade e uma reflexão serena, que é mais calorosa, interessante e enriquecedora.
O Clube dos Pensadores é de acesso gratuito, aberto a todos, em que ninguém pede a identificação e pergunta qual a sua ideologia.

O projecto Clube dos Pensadores exige concentração, esforço, paciência, continuidade, meditação e solidão. Por outro lado, disciplina, persistência, coragem, coerência, trabalhar com objectivos e auto-responsabilidade.
Como dizia Maria Teresa Horta: “dá trabalho dar voz àquilo em que se acredita. Chega a ser cansativo. Mas é essencial não calar”.

Neste país há a mania de marcar o andamento de uma pessoa.
Há normas e costumes que se devem acatar de forma resignada, amorfa e insípida. Se não o fizeres és um herege e um alvo a abater. O meu problema foi fundar o Clube dos Pensadores e fazer debates da forma como os faço, pois, já há muito tempo, que há debates para todos os gostos.
Porém a forma como são feitos, conduzidos e quem é convidado marca a diferença e faz escola. Os debates têm emoção e um pouco de magia.

Quando alguém é diferente, sai do normal e segue em contracorrente começa por surpreender, chega a desagradar e depois como não conseguem modificá-lo começam a prestar-lhe atenção porque pode revoltar-se contra o que está estabelecido.
Mais ainda, quando tem imensos seguidores e gente que gosta da maneira de ser e actuar.
Há os que me apoiam e os que me criticam. Outros perturbam-se porque lhes descubro as suas misérias, as suas indolências e os seus cambalachos. Deste modo tentam destruir-me. Acusam-me de fazer o que faço para chamar à atenção, ter protagonismo, ser mediático. Isto é, actuo para ter popularidade, e manter-me na crista da onda, para ser reconhecido e premiado.

Todavia há muita gente que me aceita e aprova o que faço, não só pelos debates, mas pelas minhas intervenções públicas, pela escrita e comentário. Procuro fazer cidadania e acredito no que faço, procura fazê-lo e prestar um serviço público gratuito e não procuro prebendas de espécie nenhuma.
Fazer o que faço não tem nada de extraordinário, é um dever e um privilégio que muita gente não o pode fazer. No fundo algo que é absolutamente normal e natural, mas que Adolfo Suárez definiu como ser preciso, «elevar à categoria de normal o que é normal».

Eu sou apenas eu mesmo, o meu copo pode ser pequeno, mas é só dele que bebo, estabeleço os meus objectivos, segundo as minhas preferências e prioridades, tenho o pernicioso vírus da independência.
Não funciono por cargos ou benesses e não penso partidariamente. Porém tenho direito a existir e existo.

O meu nível de responsabilização e comprometimento é com a cidadania e os cidadãos e isso não passa por ter que ir a votos.
Há gente que está nisto comigo tão-só conjunturalmente, mas há outros que são mesmo amigos de verdade. Nunca olhei a amizade como fazer uns jeitos ou negócios.
Há muito mais gente que gosta de mim e está predisposta a ajudar-me.

O Clube dos Pensadores reivindica o valor da conversação e da troca de ideias e opiniões, sem credo partidário.

O Clube dos Pensadores defende o direito a criticar, desígnio fundamental para a evolução da nossa democracia. Defendo que os cidadãos não devem ser privados do debate e esclarecimentos que precisam.

Não há cidadãos de primeira e de segunda, nem a privação dos seus direitos. Ser pelo Clube dos Pensadores é uma atitude e forma de estar na vida.
Segundo Ulrich Beck, «esta crise não se superará sem a iniciativa dos cidadãos». E, eu acrescento que o futuro passa inevitavelmente pela cidadania.

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