Taça de Portugal (2ª Mão) – FC Porto, 0 (0) – Sporting, 0 (1) – Sporting “adormeceu” Dragões e abriu portas do Jamor

O jogo gerou enorme expetativa. Frente a frente, duas das melhores equipas da Liga . No fim,  uma desilusão sob o ponto de vista exibicional - o Sporting jogou todo o tempo em contenção, gerindo o 1-0 que trazia de Alvalade; o FC Porto necessitava de marcar, mas foi no "embalo" dos Leões e fez um jogo lento, pouco intenso, desinspirado. Com estes condimentos, muito dificilmente poderia haver desfecho diferente do 0-0. Também Miguel Nogueira, o árbitro, esteve demasiado errático técnica e disciplinarmente. Podia ter sido um grande jogo, mas não foi.

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As duas equipas têm feito um campeonato muito bom. É natural que, nesta altura, sintam o desgaste de todas as competições em que estiveram envolvidos. É, também, a ideia com que ficamos depois de assistirmos a este jogo.

Diogo Costa põe fim a um dos poucos lances perigosos construídos pelo Sporting. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

O Sporting, que trazia uma vantagem de um golo, fez o seu “trabalho” – não dar velocidade ao jogo, manter o setor defensivo coeso, perder tempo sempre que possível e “colocar gelo” quando o adversário mostrasse mais entusiasmo ofensivo.

Cabia , pois, ao FC Porto, pagar a “fatura” do jogo. Não deixar-se adormecer, evitar, ao máximo, cometer faltas (o adversário aproveitar-se-ia para fazer o tempo passar), ser intenso e rápido nas transições, procurando o desposicionamento da defesa leonina.

Gabri Veiga tenta passar entre Trincão e Hjulmand. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Mas a equipa portista não fez nada disto, aliás, fê-lo nos últimos minutos do encontro, podia até ter marcado, não fosse uma grande defesa de Rui Silva, nos instantes finais. Durante os restantes 85 minutos, foi na “conversa” do Sporting e nunca imprimiu ao jogo um ritmo capaz de preocupar a formação de Rui Borges. 

Exigia-se mais a ambos, é verdade. Mais ao FC Porto, que esteve muito longe das últimas exibições para o campeonato.

Rui Silva rubricou uma boa exibição. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Farioli colocou Kiwior a lateral esquerdo. O recado estava dado ao Sporting – não vamos procurar profundidade na ala esquerda. Depois, retirou do jogo Alberto Costa, ficando o lado direito “manco” para o ataque à profundidade. Pietuszewki, que é um desequilibrador nato e pode interferir no jogo a qualquer momento, também foi substituido. Borja, Sainz, outro extremo, não saiu do banco. Pouca ambição? Preocupação única no título? Quebras físicas? Ou tudo isto junto? Só o treinador portista saberá.  Nós, que não vemos o treino, não sabemos. O que vimos foi um FC Porto “satisfeito” com o jogo. Com excepção para os últimos minutos.

A haver um vencedor, teria de ser a equipa da casa. Apesar de meio-adormecida, criou mais perigo e teve algumas ocasiões para marcar. Neste particular, é justo salientar Rui Silva. O guarda-redes sportinguista, para nós o melhor em campo, esteve muito bem nos momentos em que o FC Porto acordou e lembrou-se que tinha um jogo para vencer.

Morita foge a William Gomes. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Minuto cinco

À passagem do quinto minuto, William Gomes chegou mais rápido à bola, à entrada da área e Gonçalo Inácio atropelou-o  (literalmente), acabando até por ficar lesionado. 

O banco portista pediu penalti e expulsão para o jogador. Para espanto de todos, Miguel Nogueira não puniu disciplinarmente o jogador e assinalou a falat fora da área. Logo, o VAR não podia intervir, pois o lance não foi dentro da área nem na sequência de um golo. A decisão é da inteira responsabilidade do árbito. Na nossa opinião, decidiu malno plano disciplinar.

Este minuto cinco podia ter marcado o futuro da partida.

O Sporting acabou por beneficiar desta decisão e conseguiu levar a “água ao seu moinho”

A propósito de erros do árbitro, foram diversos. Sob o ponto de vista disciplinar, muitos.

Também Pepê passou incólume, numa jogada em que pisou parte do pé de um jogador do Sporting. 

Uma má arbitragem numa partida que merecia outro cuidado a este nível. Não haveria melhor árbitro disponível? Se calhar, não. Mas isso é muito mau e preocupante.

Rodrigo Mora não conseguiu fazer “magia”. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Clássicos

O jogo a que assistimos esta noite, já se joga há muito fora do campo. Não pelo jogadores ou treinadores, mas pelos presidentes, com conversas cruzadas, algumas em tom muito pouco elevado. E talvez fosse bom o Dr. Frederico Varandas não falar do “norte” quando quer referir-se, apenas, ao seu rival. Confundir a árvore com a floresta nunca deu bons resultados. E é injusto.

O desfecho da partida, pode ser que ponha fim ao tom acusatório e de queixumes entre os clubes . Se assim não for, deverão estar à espera do fim do campeonato. Mas se acabar agora, é excelente, para que a paz e tranquilidade regresse aos adeptos e dirigentes dos dois emblemas.

Desengane-se quem pense que estes “jogos florais”, “mind games” chamarão alguns, é coisa do século XXI. Não, não é. Quem tem o privilégio de estar vivo, após acompanhar “clássicos” desde os anos 80 do século passado, já vivenciou muitas coisas erráticas, imensas, mesmo, protagonizadas por adeptos, dirigentes, jogadores e treinadores de clubes.

Gul travado em falta por Maxi Araújo. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

Quanto ao encontro, confessamos que, há muito, não assistíamaos a uma partida em que os relatadores radiofónicos chamam, com a doçura que os caracteriza, “ jogo de morte“. Claro que é um exagero, mas a verdade é que um tinha de cair pelas escadas da Taça de Portugal. Foi o FC Porto. Não por falta de qualidade, incompetência ou inépcia do seu técnico. Apenas porque o Sporting jogou melhor na primeira mão e teve a frieza necessária nos momentos decisivos , durante o jogo de ontem.

 Declarações

 Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Queríamos estar na final”

Francesco Farioli, treinador do FC Porto. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Nesta temporada, ainda não vi melhor equipa do que nós, mas, por vezes, é aceitar o desfecho dos jogos. O FC Porto tinha o desejo e energia para ganhar este jogo e estar na final.

Agora muda o livro, muda a competição. Vamos estar prontos para os próximos desafios e para sermos campeões”.

 

 Rui Borges (treinador do Sporting):“Queremos manter este troféu”

Rui Borges, treinador do Sporting. Foto de ANTÓNIO PROENÇA

“Queríamos ganhar o jogo, mas também sabíamos que íamos quebrar com a quantidade de jogos que tivemos.

Na primeira parte, conseguimos controlar o FC Porto, na segunda o FC Porto foi melhor, mas tivemos uma entrega incrível. Só uma grande equipa é que consegue fazer isto. Os jogadores deram o máximo. Estivemos unidos, lutámos, fomos rigorosos. Queríamos voltar à final da Taça, um troféu que é nosso e queremos manter nosso”

Ficha

Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Sporting, 0-0.

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa (Fofana, 79), Thiago Silva (Alan Varela, 58), Bednarek, Kiwior, Pablo Rosario, Froholdt, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 71), William Gomes, Pietuszewski (Pepê, 71) e Deniz Gul (Moffi, 71).

Suplentes: Cláudio Ramos, Prpic, Francisco Moura, Alan Varela, Fofana, Rodrigo Mora, Pepê, Borja Sainz e Moffi).

Treinador: Francesco Farioli.

Sporting: Rui Silva, Eduardo Quaresma, Diomande, Gonçalo Inácio (Debast, 11), Maxi Araújo (Ricardo Mangas, 79), Hjulmand (Daniel Bragança, 50), Morita, Quenda (Pedro Gonçalves, 79), Trincão (Luis Guilherme, 79), Geny Catamo e Luis Suárez.

Suplentes: João Virgínia, Debast, Vagiannidis, Ricardo Mangas, Daniel Bragança, Kochorashvili, Pedro Gonçalves, Luis Guilherme e Rafael Nel).

Treinador: Rui Borges.

Árbitro: Miguel Nogueira (AF Lisboa).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Pablo Rosario (22), Hjulmand (34), Gabri Veiga (44), Rui Silva (83) e Ricardo Mangas (90+6). Cartão vermelho direto para Alan Varela (89).

Assistência: 47.450 espetadores.

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e António Proença (Fotos)

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