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Terça-feira, Março 3, 2026

Taça da Liga: FC Porto, 1 – V. Guimarães, 3 – Três erros fatais…

Ao aproveitar três erros crassos do FC Porto, o Vitória de Guimarães venceu um jogo em que o futebol praticado por ambos os conjuntos deixou muito  a desejar. Os portistas estão fora da Taça da Liga e os vimaranenses vão defrontar o Sporting nas meias-finais.

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A “segunda Linha” do FC Porto que Farioli apresentou na primeira parte demonstrou que não tem qualidade suficiente. Não por falta de entrega dos jogadores, mas por manifesta incapacidade de fazer melhor.

Mesmo assim, foram os portistas a adiantarem-se no marcador por Gabri Veiga que aproveitou um dos muitos erros individuais, desta feita dos minhotos. E só tinham passado 8 minutos de jogo. Na marcação do golo, o médio espanhol lesionou-se, passando a primeira parte em dificuldades, sendo substituido ao intervalo.

Gabri Veiga estava a ser um dos melhores, numa equipa em que só ele, Varela e Borja Sainz eram os habituais titulares. De resto, um “equipa nova”.

Árbitro reverte decisão e não marca “penalty” a favor dos portistas. Foto de GONÇALO BRAVO

Karamoh e Alárcon pautavam-se como os grandes novidades. Se o costa-marfinense não demonstra, para já, ritmo para uma partida desta responsabilidade, Alarcon passou ao lado do jogo. E quando um duo atacante está “ausente”, dificilmente há golos a favor. Gabri ia fazendo a diferença.

O Vitória venceu o jogo porque teve a capacidade (ou competência!) para aproveitar erros alheios. Inicialmente, parecia jogar com medo do adversário (a respeitar, como costumam dizer os treinadores). Bloco baixo e um futebol inibido. À espera de ver o que seria capaz de fazer o FC Porto. E os “azuis e brancos” fizeram pouco e mal. Então, o Vitória esticou-se no campo e, em muitos períodos, equilibrou o jogo. 

Pelo que fizeram uns e outros, o jogo estava condenado a um empate. Mas um FC Porto confuso, trapalhãoi, a fazer “depressa e mal” , sem calma e, principalmente, a errar muito, ofereceu o que o Vítória dificilmente conseguia – incomodar Cláudio Ramos.

A equipa de Guimarães fez o seu jogo e não teve culpa de encontrar um adversário que teimou em cometer erros. 

Ao FC Porto exigia-se mais. Aliás, sejam primeira, segunda ou terceira linha, não pode errar tanto. Percebe-se o drama de Farioli – precisar de rodar a equipa e não tem jogadores alternativos…à altura.

No início de época escrevemos em O Cidadão que o FC Porto tinha um “grande onze”, mas poucas alternativas. E quando o campeonato começasse a aquecer, iria ter dificuldades. Era previsível, sem ser necessária bola de cristal. E para agudizar o problema, as lesões – Gul, De Jong, Nehuén e agora, provavelmente, Gabri Veiga.

Em nosso entender, é um plantel curto para tantos compromissos desportivos.

Ontem ficou provado. Por um lado, há jogadores que estão longe de ser alternativa, por outro, os que sobram, são poucos para enfrentarem as dificuldades de um calendário que vai ser muito complicado para os portistas no mês de Janeiro. Haverá, com certeza, ajustes ao plantel, caso contrário, a tarefa será duríssima para jogadores e treinadores.

Portistas com pouca eficácia no ataque. Foto de GONÇALO BRAVO

Quanto ao árbitro da partida de ontem, foi como o jogo – irregular. Vários foram as mudanças de decisão. E o VAR interveio diversas vezes para corrigir. No plano disciplinar esteve mal. Se um árbitro não aceita críticas dos jogadores (e tem razão!), durante o jogo e até costuma afirmar “o árbitro sou eu”, não deve admoestar um médico com o cartão vermelho, quando este assiste um jogador e diz ” o médico sou eu.” Enfim. Genialidades da arbitragem à portuguesa.

Declarações

Francesco Farioli ( Treinador do FC Porto). “Virar a página e seguir em frente”.

Francesco Farioli. Foto de GONÇALO BRAVO

“Tentámos de tudo para vencer o jogo. Não foi suficiente. Temos de virar a página e seguir em frente. Sinto arrependimento por algumas das dinâmicas que tivemos esta noite. Sinceramente, deixam-me sem palavras, mas vamos seguir em frente.”

“Tentámos de tudo, isso é certo. Não foi o suficiente. Faz parte do jogo. Tivemos as nossas oportunidades, sobretudo no arranque da segunda parte. É o que é. Como sempre, temos de virar a página muito rápido. Os nossos adeptos deram-nos o ‘boost’ necessário para seguirmos em frente. O ambiente foi fantástico.”

“Perdemos dois jogos e nos dois jogos tivemos penáltis contra. É o que é. O importante é os nossos adeptos demonstrarem o seu carinho e apoio como demonstraram no final do jogo”.

“Perguntei-lhe como ele se sentia, disse que se sentia bem, mas quando regressou do balneário, frio, foi visível que não estava bem. Estamos a pagar um preço alto neste tipo de toques e lesões. O futebol é um desporto de contacto e as lesões acontecem, mas agora é momento de dar o passo em frente e dar a volta a este resultado”.

“Acho que fizemos mesmo tudo o que estava ao nosso alcance. Tivemos algumas más notícias nos últimos dias. Mas é assim, os erros acontecem no futebol e hoje aconteceram alguns”.

Luis Pinto ( Treinador do Vitória): “Demonstrámos maturidade”.

Luis Pinto, treinador do Vitória SC

“Neste jogo tivemos a capacidade de ser maduros e queremos que isso seja algo que nós possamos considerar crescimento porque crescimento só é uma coisa que há quando é feito de forma consistente e acho que é importante nós termos noção que essa maturidade que mostramos hoje em jogo seja um crescimento sustentado mesmo. Temos de ter a capacidade de amanhã descansar e preparar o próximo jogo de segunda-feira”.

“Eu sei que parece um bocado cliché ao falar disto, mas numa equipa tão jovem como a nossa, acho que é mesmo importante termos os pés assentes na terra e perceber que o que fizemos aqui hoje foi fantástico, demonstrou maturidade, capacidade, ainda para mais iniciámos o jogo a perder na casa de um adversário que tinha dois golos sofridos, salvo erro, em casa. Por isso, demonstra bem aquilo que nós fomos capazes de ser, mas foi hoje e nós temos que ser consistentes nessa maturidade. Quando a equipa começa a perder tão cedo, muitas vezes neste tipo de jogos, contra equipas teoricamente mais fortes, isso coloca um peso muito grande em cima das equipas que os defrontam, mas o Vitória hoje pareceu nunca sentir verdadeiramente esse peso exagerado. Os meus jogadores perceberam logo onde é que nós errámos no lance do golo e esse erro foi de tal forma evidente que fez com que tentássemos estar tranquilos, manter aquilo que era o plano porque ainda era muito cedo no jogo e ainda nos dava muito tempo para poder ir atrás do resultado. Acho que essa clareza, naquilo que nós tínhamos que fazer, ajudou-nos a ter essa forma estável de estar em campo”.

“Às vezes acertámos nas substituições, outras vezes não acertámos, isso faz parte do futebol, mas sim, era claramente foi por causa dos amarelos porque os jogadores que estavam dentro de campo estavam bem, mas saber que ainda para mais ia entrar o Samu, ter os dois centrais com amarelo contra um jogador muito físico, era algo que nós estávamos a ponderar se alterávamos ou não decidimos não alterar. Com o Nélson passou-se mais ou menos a mesma coisa, mas depois para conseguirmos continuar a pressionar à frente aí corríamos o risco de, se tivéssemos o Nélson amarelado, num lance que tivesse um mau timing de entrada poderia levar o segundo cartão e então preferimos tirá-lo cedo na segunda parte por causa disso”.

“Muito honestamente temos é que acalentar e prepararmos bem para a segunda-feira e dar uma boa resposta naquilo que tem que ser a nossa forma de estar em campo. Tem de ser nesta senda, de jogo a jogo, só preocupar-nos com isso e não estar a pensar a muito longo prazo. Temos que estar focados no presente e no futuro muito próximo, é só isso que nós temos que fazer”.

Ficha

Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto – Vitória de Guimarães, 1-3.

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores:

1-0, Gabri Veiga, 8 minutos.

1-1, Nélson Oliveira, 38 (grande penalidade).

1-2, Samu Silva, 53.

1-3, Oumar Camara, 79 (grande penalidade).

FC Porto: Cláudio Ramos, Martim Fernandes (Alberto Costa, 77), Prpic, Zaidu, Pablo Rosario, Alan Varela (Pepê, 64), Eustáquio, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 46), Karamoh (Samu, 46), Borja Sainz (William Gomes, 64) e Ángel Alarcón.

Suplentes: João Costa, Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Tomás Pérez, Rodrigo Mora, Pepê, William Gomes, Samu).

Treinador: Francesco Farioli.

Vitória: Juan Castillo, Tony Strata, Rodrigo Abascal, Óscar Rivas, João Mendes (Orest Lebedenko, 88), Matija Mitrovic (Diogo Sousa, 88), Samu Silva (Gonçalo Nogueira, 70), Beni Mukendi, Oumar Camara, Nélson Oliveira (Alioune Ndoye, 58), Telmo Arcanjo (Noah Saviolo, 70).

Suplentes: Charles Silva, Miguel Maga, Thiago Balieiro, Orest Lebedenko, Diogo Sousa, Gonçalo Nogueira, Noah Saviolo, Alioune Ndoye, Fabio Blanco).

Treinador: Luís Pinto.

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Borja Sainz (22), Nélson Oliveira (22), Gabri Veiga (25), Karamoh (31), Pablo Rosario (37), Rodrigo Abascal (44), Prpic (79), Gonçalo Nogueira (81), Alioune Ndoye (85), Rodrigo Mora (86), William Gomes (90+3).

Assistência: cerca de 30 mil espetadores.

Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Gonçalo Bravo (Fotos)

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