Uma das fases do jogo em que o FC Porto é mais perigoso é nas bolas de saída. E hoje, assim foi. Na saída, bola rápida a chegar a Froholdt na direita do ataque portista, o dinamarquês cruza para o poste do lado contrário, onde aparece, veloz, Pietuszewski a marcar.

Galeno passou o testemunho a Pietuszewski , que é agora o jogador a marcar o golo mais rápido do FC Porto. Um golo que fica apara a história.
O jovem polaco lesionou-se no lance, teve de ser assistido, e a jogada gerou dúvidas quanto à sua posição no terreno. Pairou a ideia de que podia estar fora de jogo, mas depois da análise do VAR, o golo foi validado e a equipa do Porto ficou a vencer no arranque da partida.

Dada a enorme dificuldade que o conjunto líder do campeonato tem em marcar golos, este dealbar produtivo, podia ser o mote para a marcação de mais golos. E não foi porque tanto falhanço na concretização, a turma do FC Porto “punia-se”. E chegava ao intervalo a vencer só por 1-0, quando podia ter a partida quase resolvida.
O Arouca não conseguia impor o seu jogo. O FC Porto não deixava. Um ou outro contra- ataque era o máximo que os arouquenses conseguiam. O jogo só dava azul e uma mão cheia de oportunidades perdidas.
Os Dragões estavam “afinados”, praticavam um futebol agradável, ms pouco prático. E em frente à baliza do Arouca, valia tudo – por cima, ao lado, à figura, à trave e aos postes. Nunca para o fundo das redes! Uma situação que deve ser bem analisada por Farioli.
Emoção
A segunda metade começou com o Arouca mais afoito. Nos primeiros minutos foi mais perigoso do que nos primeiros 45. Mas, gradualmente, o FC Porto ia “entrando” no jogo e passava, outra vez, a dominar. Na prática, mantinha-se igual. Dominava e falhava golos. O Arouca parecia resignado e não conseguia sair a jogar. Quase satisfeito com a derrota por números mínimos.
Quando passavam 60 minutos, como habitualmente, Farioli mexeu na equipa. Mora, William e Moffi entraram para os lugares de Gabri, Pietuszewski e Gul. Mexeu no jogo, mas não mexeu com o jogo.

E quem aproveitou foi o Arouca. 70 minutos, remate à entrada da área do FC Porto e Djouahara fez o empate. Gelava o já desesperado Estádio do Dragão, farto de ver os seus jogadores falharem golos.
Passados cinco minutos, nova substituição; Rosário dava lugar a Fofana. Que entrou muito muito bem no jogo – trouxe força, velocidade e muita vontade de marcar.
A partir dos 70 minutos, os jogadores do FC Porto sentiram que, desse por onde desse, tinham de marcar. E foram 20 minutos loucos. Muito emotivos.
Entretanto, Farioli ainda retirou Pepê e fez entrar o jovem da equipa B, André Miranda.
E Fofana foi o motor da reviravolta. Jogou e fez jogar. Vê-se que quando estiver totalmente integrado, terá a titularidade garantida.

E aos 89 minutos foi cometida sobre ele uma grande penalidade. Tal como não tivemos dúvidas em considerar castigo máximo a da última jornada e que não foi validada, esta, com algumas semelhanças, foi muito bem assinalada. Fofana entrou na área, foi impedido, irregularmente, de rematar.
Na conversão do penalti, William Gomes não este com preciosismos. Uma “bomba” a meia altura, colocava o FC Porto, novamente, em vantagem.
No minuto 99, último da período extra, Foi Moffi a fazer o terceiro, estreando-se a marcar pela equipa. E a fechar o resultado – 3-1.
O FC Porto foi demasiado perdulário. Deve-se a si próprio o “sufoco” dos últimos minutos. Desta vez, conseguiu superar, mas é um risco em demasia esta fórmula “da velha italia do calcio“. Farioli acertou nas substituições, mas tem de espicaçar mais a sua equipa no engodo pelo golo, se não quer sofrer dissabores, mais jogo menos jogo.
O Arouca mostrou que tem ideia de jogo e que sabe jogar. Vasco Seabra tem a equipa bem trabalhada. Mas hoje, não teve grandes hipóteses, pois o FC Porto foi hiper perdulário, mas suficientemente pressionante para não “deixar” o adversário jogar.
Arbitragem regular.

Declarações
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Venceu a “famiglia portista””

“Esta vitória é dedicada ao Borja Sainz e à sua família, que estão a passar um período muito difícil. Nós merecemos uma vantagem de, pelo menos, dois ou três golos na primeira parte, pela produção ofensiva que conseguimos. Infelizmente, não conseguimos converter.
Depois do golo concedido, a reação foi fantástica e os adeptos também ajudaram muito, num grande exemplo do que é a ‘famiglia portista’. Estou muito feliz, agora é recuperar energias e começar a preparar o próximo jogo.
Cada vitória traz sempre muita energia e confiança, mas não temos tempo para festejar, já entramos, dentro de poucos dias, noutra competição [para a Taça de Portugal, frente ao Sporting, na terça-feira].
Temos uma equipa que permite disputar as diferentes provas, mesmo com poucos dias entre jogos. Já realizámos 37 jogos esta época e, em todos os 37, corremos mais do que o nosso adversário. Os jogadores que entraram foram determinantes para a vitória, mostrámos a profundidade do nosso plantel. Podemos competir por tudo até ao fim.
O Oskar Pietuszewski é um jogador que gosta do ‘um para um’. É normal que perca a bola, às vezes, mas queremos essa agressividade nos extremos, faz parte do processo. Somos a equipa em Portugal que utiliza mais jogadores sub-21, o que nos dá boas energias, mas, em determinadas ocasiões, tomadas de decisão não tão maduras.
O William Gomes mostrou grande responsabilidade, com um golo e, principalmente, com a assistência. Qualquer jogador pode desempenhar um papel crucial. Todos vão ser importantes nos próximos meses. O André Miranda, há uns meses, ajudava-nos nos treinos e talvez nem sonhasse que teria esta oportunidade”.
Vasco Seabra (treinador do Arouca): “Grande penalidade frustrante para nós”

“Foi um belíssimo jogo, a segunda parte foi um exemplo positivo para o nosso campeonato. Enfrentámos o primeiro classificado, no seu estádio, uma equipa cheia de qualidade e com um processo de jogo admirado por todos e por mim em particular.
Fomos competentes, capazes, criámos muitas dificuldades ao FC Porto no seu posicionamento. Tiveram as suas oportunidades e, em algo momento, fomos felizes por termos mantido a desvantagem pela margem mínima. Isso levou o jogo para um patamar que nos deixou mais confortáveis.
O lance da grande penalidade foi frustrante por tudo aquilo que fizemos. É o nono penálti contra nós, zero a favor. E já tivemos inúmeros jogos com ‘toquezinhos’ dentro da área. Temos de seguir, toda a gente tem falhas, continuamos a confiar nos árbitros, mas as duas melhores equipas hoje foram o FC Porto e o Arouca.
Ficou a frustração de termos sofrido no fim, tal como aconteceu frente ao Sporting aos 90+6 [minutos]. São duas equipas grandes que defrontámos de forma bem diferente em relação à primeira volta. É um sinal de crescimento da equipa, da confiança que traz consigo.
As sensações positivas elevam-nos a um patamar em que temos de ser exigentes internamente. Este jogo já passou, agora temos de conseguir pontos. Temos 26 e precisamos de muitos mais até ao final da temporada. O nosso foco já está no encontro frente ao Famalicão”.
FICHA
Estádio do Dragão, no Porto.
FC Porto – Arouca, 3-1.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores:
1-0, Pietuszewski, 1 minuto.
1-1, Djouahra, 70.
2-1, William Gomes, 90+1 (grande penalidade).
3-1, Moffi, 90+8.
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior, Zaidu, Pietuszewski (William Gomes, 61), Pablo Rosario (Fofana, 76), Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 61), Froholdt, Deniz Gül (Moffi, 61) e Pepê (André Miranda, 84).
Suplentes: João Costa, Dominik Prpic, Francisco Moura, André Oliveira, Fofana, Rodrigo Mora, André Miranda, William Gomes e Moffi.
Treinador: Francesco Farioli.
Arouca: Arruabarrena, Javi Sánchez (Popovic, 46), Diogo Monteiro, Jose Fontán, Bas Kuipers, Fukui, Pablo Gozálbez (Yellu, 78), Trezza (Puche, 84), Mansilla (José Silva, 78), Djouahra e Barbero (Nandín, 65).
Suplentes: João Valido, José Silva, Popovic, Matías Rocha, Amadou Danté, Yellu, Nandín, Batata, Puche.
Treinador: Vasco Seabra.
Árbitro: Iancu Vasilica (AF Vila Real).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Popovic (90+2), Diogo Monteiro (90+3).
Assistência: 41.090 espetadores.
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto); João Dias (Fotos)
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