Nos últimos dias a maioria dos media “abafaram” completamente a situação de guerra que se vive na Ucrânia. Aliás, a Rússia tem intensificado os ataques aproveitando o que se está a passar no Médio Oriente. E mais anedótico ainda é que já se ofereceu para mediar a guerra entre o Paquistão e Afeganistão. Só pode ser uma anedota mal contada.

Vladimir Putin também já fez questão de afirmar que os bombardeamentos contra o Irão devem parar, dando lugar às negociações diplomáticas. O que já ficou comprovado que a diplomacia não funciona quando os atacantes são Israel e os Estados Unidos (EUA). E se a Rússia parece tão interessada em aparecer como um mediador de Paz, porque não cessa os bombardeamentos contra alvos civis na Ucrânia e avançam com negociações diplomáticas sérias e honestas.
A guerra na Ucrânia continua em força apesar de os governantes russos tentarem passar uma história diferente. E todos os dias morrem centenas de militares de ambos os lados e civis inocentes em várias cidades ucranianas.
Só que o foco mediático neste momento recai sobre o Irão, onde prosseguem os bombardeamentos em várias cidades. Aliás, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, previu hoje a queda iminente do regime em Teerão, afirmando que se aproxima o dia em que o “valioso povo iraniano rejeitará o domínio da tirania”.
“Lançámos esta campanha para afastar qualquer tentativa de renovar ameaças existenciais e também nos comprometemos a criar as condições que permitam ao valente povo iraniano livrar-se do domínio da tirania”, afirmou Netanyahu.
“Esse dia está a aproximar-se. E quando chegar, Israel e os Estados Unidos estarão ao lado do povo iraniano. (…) Depende deles”, acrescentou o primeiro-ministro israelita, em visita ao local de um ataque com mísseis iranianos que causou nove mortos no domingo em Bet Shemesh, perto de Jerusalém.
Só que esta guerra no Médio Oriente promete ser prolongada e com efeitos sobre a economia internacional, nomeadamente no que diz respeito ao petróleo e gás.
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, garantiu que Teerão “não ficará em silêncio” após o que descreveu como ataques premeditados contra uma escola e um hospital, atribuídos a Israel e aos Estados Unidos.
“Os ataques contra hospitais são ataques à própria vida. Os ataques contra escolas visam o futuro de uma nação (…) O mundo deve condenar esses actos”, escreveu Pezeshkian na rede X. “O Irão não ficará em silêncio e não cederá diante desses crimes”, acrescentou.
A legalidade da utilização da Base das Lages
A Espanha recusou a utilização de bases militares no país pelos Estados Unidos (EUA) nos ataques ao Irão e os norte-americanos já movimentaram aviões que tinham em território espanhol para outros países europeus, confirmou o Governo de Madrid. Em Portugal não se sabe muito bem porque é que a Base Aérea das Lages, na ilha Terceira, Açores, está ao serviço dos Estados Unidos.
“Rotundamente não, nas bases que há em Morón e em Rota não se prestou nenhum tipo de assistência, absolutamente nenhuma, a esta atuação, a estes ataques”, disse a ministra da Defesa, Margarita Robles, em declarações a jornalistas. Por cá, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, demorou em dizer aos portugueses que os americanos não têm nada que pedir ao Governo para utilizar a Base das Lages, pois existe um acordo que está a ser cumprido.
O movimento nas Lages tem sido intenso com aeronaves norte-americanas, sobretudo de aviões reabastecedores, desde que os Estados Unidos da América e Israel atacaram o Irão, na manhã de sábado. Os aviões KC-46 Pegasus, que têm capacidade para reabastecer aviões militares em pleno voo têm feito dezenas de saídas rumo ao Médio Oriente.
Pela Base das Lajes têm passado também alguns aviões C-130, habitualmente utilizado para transporte de tropas e cargas, da Força Aérea e da Marinha dos Estados Unidos.
Há uma semana, ainda antes do ataque ao Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse que o Acordo de Cooperação e Defesa entre Portugal e os Estados Unidos previa “autorizações tácitas”, “dadas com um prazo relativamente curto”, para o uso da Base das Lajes. Mas será que os americanos pediram autorização para a Base das Lages? Esta é a grande questão que importa saber.
O que se sabe é que a maioria dos países europeus não autorizaram que os americanos utilizassem as bases aéreas neste conflito com o Irão.
No domingo, o presidente do Governo Regional dos Açores afirmou que o Acordo “foi cumprido” e que a importância da região “foi reconfirmada” com o recente ataque ao Irão. Mas porque razão foi José Manuel Bolieiro a falar com a imprensa e não o Ministro dos Negócios Estrangeiros ou o Primeiro-Ministro?
Numa declaração política sem direito a perguntas dos jornalistas, José Manuel Bolieiro referiu que “no atual contexto internacional de guerra” o Governo dos Açores e o Governo da República “mantiveram contactos e troca de informação” através do primeiro-ministro, do ministro dos Negócios Estrangeiros e do presidente do executivo açoriano.
Fonte: Agência Lusa
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