Sou e serei Porto, aconteça o que acontecer. Fui criado por uma família “profissional de Portismo”. “Ser Porto” é um estado de espírito que representa resiliência, ambição, garra e superação e é uma paixão intensa pelo FC Porto e pela identidade vitoriosa.
Incute-se a mentalidade de nunca desistir, focada na luta, no desejo e no trabalho para atingir objetivos, simbolizando orgulho e uma “dor boa” de conquista.
Ser do Porto é um estado de espírito, a nossa forma de estar e de viver, a luta incessante pelo objetivo e é tão natural como respirar, nem que para isso tenha que doer, doi, mas é uma dor boa onde fica a cicatriz, mas a alma isenta de qualquer dor ou sofrimento. Isto é ser PORTO.
Os meus tios, que recordo com muita saudade – todos Correia: Baltazar; Francisco e Hélder, além do meu pai Almerindo – a quem dedico a Roseta de Ouro, encaminharam-me desde miúdo para o clube que amo. Sempre acompanhei os jogos nas camadas jovens, ao domingo de manhã e o clube a todo lado – sem claques…. Joguei 2 anos no FCPorto (Voleibol); Joguei 2 anos no FC Infesta, sempre de azul e branco, futebol. No ano de 1984/85 o Salgueiro contactou o meu pai para jogar futebol e recusei, liminarmente, porque nunca vestiria uma camisola que não fosse azul/branca. Se duvidas houvessem, sempre foi esta a postura e intenção.
Em 2020 fui convidado – custo zero – para promover a campanha (marketing e comunicação) de um candidato que aceitei, na perspetiva de conhecer o clube, e em 2024 –sem chegar as eleições por incompatibilidade com o candidato – voltei a repetir.
Do ponto de vista funcional foi interessante: criar um Programa de raiz; conhecer portistas e gente comprometida com o Clube; conhecer a empresa FCP, etc, etc. 2023 – iniciamos a campanha e sabíamos (setembro) que o atual Presidente contratou uma empresa de Mkt de Lisboa e usava a comunicação, que sempre detestámos e hostilizámos das Tv´s manhosas. Mesmo assim avançámos, sem budget que sustentasse qualquer ação mais ousada, numa perspetiva de união e nunca de exclusão, como viria a acontecer.
Defendi que o clube precisava de um “refresh” diretivo para sobreviver aos tempos exigentes do empreendedorismo em Portugal, por isso nunca perdi qualquer valor e princípio relativamente ao futuro, ou seja, quem quiser assumir a Presidência do clube, como associado, que se apresente as eleições e uma lista…o FCP tem cerca de 176.000 associados (março/ 2026) e é o clube mais democrático que existe na Europa: 1 voto, uma pessoa.
No passado dia 21 de abril recebi a Roseta de Ouro, (associado – 53 anos), com gosto, mas apreensivo, com prazer e na companhia do meu amigo, portista, (meu convidado) Prof. Luis Borges Gouveia, lá fomos ver o memorial, degustar um cocktail e disfrutar de boas companhias. Foi uma festa bonita, intensa em emoções, com suspiros, a “gala de nomeados” e por isso, aproveito para agradecer publicamente ao Presidente Vilas Boas o acolhimento e a belíssima gala, digna de um grande clube com memoria. Assenta bem o pensamento de que “Vencer é a teimosia vestida de gala.“. Cumprimentei a Família Babo que prezo; vi amigos de longa data; senti o pulsar da magnitude do Estádio visto do relvado; senti o Ser Portista; senti empatia e gostos comuns. Foi muito bom ter ido e excelente ter voltado a sentir, “Sem Igual”!
Nesta sequência, por estes dias, recebi inúmeras mensagens de parabéns e críticas sobre o posicionamento. As críticas não têm sentido porque quem me conhece sabe o caminho. Não confundo a grandeza do meu clube com quem o representa, jamais. “O Cidadão” é o fiel representante das minhas memórias futuras e dos meus pensamentos e preocupações sobre o posicionamento do Clube, face aos tempos atuais e às preocupações com o estado do mundo. Por questões de coerência e para deixar claro sempre reafirmei e disse-o ao atual Presidente que “…quero que o Porto ganhe”; não concordei com a postura, como candidato, mas esta foi validada pelos sócios e, por isso, democraticamente eleito, que respeito; nunca serei oposição ao FCPorto; nunca referi – nem podia – à pessoa de André Vilas Boas, sempre me referi ao candidato André Vilas Boas.
Não retiro uma virgula ao sentimento das linhas que escrevi, por aqui, sobre a candidatura e expliquei as razões. O Presidente Vilas Boas foi eleito por maioria e foi validado em Assembleia Geral o que deve ser motivo para não hostilizar, mas sim, e para quem gosta, verdadeiramente, do FC Porto, olhar em frente e unir os associados, para voltar a ser Campeão. Compreendo todas as amarguras de quem saiu do clube, irritados e/ou chateados, com perda de alguma coisa. Não importa o quê, mas conheço e sei a história.
Não conheci, em vida, o Presidente Pinto da Costa e o que motivou foram os títulos e a descentralização da cidade. Nunca ganhei um cêntimo com o FC Porto; nunca pedi nada a ninguém do FC Porto; sempre fui um sócio disponível e fi-lo com dignidade. Não admito lições de portismo de quem sempre deu sem nada receber ou ter interesse. Não bajulo, não serei submisso, serei sempre Porto, como me ensinaram a Ser, “Comigo, ou ‘sem-migo’, o Porto vai ser campeão!” (João Pinto). Prognósticos só no fim do jogo….

Docente na Atlântico Business School/Doutorado em Ciências da Informação/ Autor do livro ” Governação e Smart Cities”








