O município de Penacova tornou-se, nas últimas semanas, o epicentro de uma produção cinematográfica nacional que promete marcar o panorama audiovisual português. O thriller histórico “O meu nome é Luiza de Jesus”, inspirado em factos reais do século XVIII, está atualmente em fase de rodagem na região, com filmagens previstas entre março e abril de 2026.
No centro da narrativa está a figura de Luiza de Jesus, uma jovem acusada, em 1772, do assassinato de 34 bebés abandonados na chamada Roda dos Expostos, em Coimbra. O caso chocou a sociedade da época e ficou registado na história como um dos episódios mais perturbadores da justiça portuguesa, valendo-lhe o epíteto de “a assassina da Roda”.
A realização está a cargo de Frederico Serra, com argumento assinado por Rita Roberto e produção da Cinemate. A obra aposta numa abordagem intensa e atmosférica, cruzando o rigor histórico com elementos de suspense psicológico.
Um dos principais cenários escolhidos para dar vida à narrativa é o Mosteiro de Lorvão, onde decorrem filmagens no pátio e nos jardins. O espaço foi alvo de intervenções preparatórias levadas a cabo pela empresa municipal Penaparque, que adaptou os claustros e áreas exteriores para recriar o ambiente do século XVIII.
A produção encontra-se também a recrutar figurantes na região, envolvendo a comunidade local num projeto que poderá trazer visibilidade acrescida ao território. Para além do impacto cultural, a rodagem está a gerar dinâmica económica e turística, reforçando o papel de Penacova como destino de interesse histórico e cinematográfico.
“O meu nome é Luiza de Jesus” assume-se, assim, como uma aposta ambiciosa do cinema português, recuperando uma história real marcada pela tragédia e pelo mistério, agora recontada sob a lente do grande ecrã.
OC/VL







