Na noite amena de sexta-feira, o público começou tímido, quase em modo de observação, mas rapidamente se deixou envolver por uma energia que cresceu de forma orgânica ao longo do espetáculo. E que bonito que isso foi.
Em palco, o timbre inconfundível de Luís Represas e a presença segura de João Gil revelaram não apenas anos de carreira, mas uma cumplicidade afinada, quase fraterna, que se estendeu naturalmente aos restantes músicos. Essa ligação ultrapassou o palco e chegou à plateia, criando um espaço comum onde diferentes gerações se encontraram.
Por momentos, na plateia, deixou de nos importar a idade: fomos todos uma menina das “sete saias”. Amamos “Perdidamente” e cantamos unidos pela memória coletiva de canções que atravessam o tempo.
Houve emoção. Muita. “Timor” foi cantada e sentida com intensidade, num daqueles momentos em que a música deixa de ser apenas som e passa a ser memória viva. Houve ainda espaço para uma homenagem a Carlos Tê, dada e recebida por todos de forma bonita, com respeito e emoção.
O concerto promovido pela Sons em Trânsito encerrou com “125 azul”, num final que soube a celebração partilhada. Cantamos todos como quem revisita uma parte de si. No meu caso, como a menina que ouviu a canção de uma cassete nos anos 90, vezes sem conta, rebobinada com uma caneta bic.
Mais do que concerto, foi reencontro e memória. Com a música, com o passado, e, de alguma forma, connosco próprios.
Os Trovante estão vivos, como as memórias que nos despertam. Repetem hoje, às 21h30 no mesmo Super Bock Arena para quem quiser, como eles mesmos prometem, viver tudo numa noite.
Texto: Ângela Soeiro
Fotos: António Proença

Gestora de clientes no setor segurador / Explorando a escrita/ Entusiasta do desenvolvimento pessoal e profissional





























