“Eu não sou presidente, eu assumi o lugar de presidente. O que eu sou é adepto. Antes de ser sócio, eu sou adepto” (Pinto da Costa).
A saudade bate pelo facto de me habituar à forma de estar e de ser no futebol. Sabia tudo o que se passava e nunca “se deixou comer por lorpa”. Fico feliz e festejo o seu aniversario (não comemoro aniversários de falecimento) pelo facto do clube, e bem, ter aberto o memorial a todos os adeptos e simpatizantes. Não sou daqueles que digo mal por dizer se bem que existiram erros de parte a parte, evitáveis, nos conteúdos e na forma, mas provavelmente, não poderia ter sido de outra maneira.
Na verdade, o clube existe e quem o ama, verdadeiramente, vai às Assembleias Gerais criticar, elogiar e votar. Esta é a parte positiva da vida do clube. Um sócio, um voto. É na AG que se devem fazer ouvir, nunca nos soundbytes das redes sociais, muito menos nos jornais de Lisboa. A última AG foi um exemplo do bom funcionamento e de como deve funcionar a vida democrática do FCPorto.
Discordo da expulsão de associados, não abdico, como também acho que quem votou não teve consciência do que fez e “foi anjinho”. É a democracia a funcionar nos dias hoje, porque votam sem consciência, das consequências… A minha vontade será sempre unir o clube para que o clube seja maior e coeso. Continuo a ter a liberdade de pensamento, dentro do clube e não alieno, democraticamente, a minha forma de pensar. Ao longo dos últimos anos, neste espaço, tenho elogiado, criticado e incentivado à união no FCPorto, porque será o caminho para ganhar mais. Depois das eleições (2024) nunca imaginei que provocassem tantos danos na união, fraturando e dividindo, sem apelo, de forma a chegar ao poder e/ou consolidar o mesmo, através dos associados, que compreendo, têm por uma ou outra razão…razões de queixa.
Vão ter sempre, mesmo ganhando! O negócio futebol não é um negócio limpo, em nenhum clube, basta haver… empresários. Estou de bem comigo, quanto a Pinto da Costa já que nem o conheci a não ser numa foto casual, num dos jantares de muita gente, em Nogueira da Regedoura. Por princípio e valores nunca menti e sou honesto na abordagem sobre o tema, que me emociona e deixa saudades de muitos anos, com vitórias. Pinto da Costa está para mim como a “liberté, égalité e fraternité” está para os franceses, que hoje, também foram obrigados a mudar, tal e qual o meu clube.
A minha declaração de interesses, pelo clube, é que sou só associado (5045) e nunca fui, nem sou assalariado, muito menos aproveitador de qualquer vantagem que o clube possa ter dado a não ser, o amor e os valores de resiliência que a minha família me soube incutir, através dos 42 anos de presidência Pinto da Costa. Escrevo isto, no dia em que faria 88 anos e como não acredito na reencarnação nem na justiça divina, muito menos nos homens/mulheres cá na terra, devo dizer que o paradigma do clube deve, a partir de 2026, mudar, perspetivando novos ciclos de vitórias. “Não enterro o machado de guerra” com Vilas Boas, nem com nenhum presidente, muito menos sou saudosista ao ponto de dizer que nunca mais ganharemos, mas tenho obrigação moral de compreender o caminho que o clube traçará.
Tenho verdadeiros amigos de um lado e do outro da barricada, nunca extremei posições, muito menos com os meus amigos, mas o clube deve ter paz e ser unido para voltar a ganhar. Quem é do contra ou a favor deve repensar o seu posicionamento de futuro porque o que aconteceu nos últimos meses pode e deve ser revertido em AG. Sempre em AG, nunca com contratos ou conversas de boca em boca. “Toda a gente sabe que isso de Lisboa a arder não é desejo de ninguém. Há, em Lisboa, muitas coisas bonitas, a delegação do F. C. Porto, os Jerónimos, mas persistem mentalidades que ainda pensam que Portugal é a capital e o resto é paisagem. Essa mentalidade é que, no sentido figurado, gostaríamos de ver arder.” (PC)
Pinto da Costa deveria ter saído de outra forma, mas quando em 1982 escolheu e bem, os seus diretores, escolheu com base num perfil funcional de comunicação a uma só voz. Lembram-se? Quem falava era o Presidente. Todos eram “devotos” do caminho que o Presidente traçou. 40 anos depois, as figuras mudaram e não mudaram para melhor. Pinto da Costa nas últimas eleições e por isso não votei em nenhum candidato, escolheu pessoas com perfil duvidoso (algumas até conhecia) que mais não fariam do que “sugar” o clube. “Um erro de casting”, diriam uns… “a imagem do Presidente segura tudo isso”, diriam outros!
Não, o clube-empresa tem de ter outro caminho de sustentabilidade. “Na verdade, estava a caminho das urgências, quando passei pela morgue e vi que lá estava grande parte do Benfica. Aí, melhorei e vim embora” (PC).
Sou saudosista das coisas boas do meu clube, até do Estádio das Antas, “velhinho” e sem condições, mas estava sempre no “Tribunal”. O famoso lugar onde estavam os verdadeiros… Faço votos a todos os portistas para repensarem sem rancores e azia, o futuro do clube e discutam o clube para um futuro próximo como bandeira da cidade e da região. “Anjo, não sei se sou ou não, mas anjinho não sou de certeza.“. Criei um movimento que pretende unir todos e onde a voz de todos estará presente. movimentounirfcporto@gmail.com
Bom ano e que o Porto seja campeão.

Docente na Atlântico Business School/Doutorado em Ciências da Informação/ Autor do livro ” Governação e Smart Cities”







