“Há dias assim, aqueles que se pensar, vou fugir”, já diziam os Tara Perdida em 2006.
Realmente há dias em que olho para o comportamento financeiro do país e pergunto-me com a sinceridade que a maturidade exige. Com sinceridade brutal, naturalmente. Não estaremos a viver num eterno estado de adolescência económica, numa espécie de cativeiro emocional onde o Estado continua a ser visto como o pai severo que confisca o salário para o nosso próprio bem porque se depender de nós, gastamos tudo em fogo de artifício e ressacas emocionais?
O problema nem é este mecanismo que foi instalado no passado, mas o facto de o repetirmos hoje com complacência, como se a dependência tenha sido convertida em virtude nacional e a autonomia financeira num desvio perigoso da doutrina instalada. Mas, tal como a música transmite tão bem sobre o sentimento de descontentamento, trata em simultâneo da vontade de lutar e de sobreviver. É o que precisamos!
É simultaneamente fascinante e alarmante perceber como herdámos uma cultura que nos treinou para desconfiar de nós próprios e décadas após o fim do Estado Novo, continuamos a reproduzir a triste narrativa de que não sabemos poupar, não sabemos planear, não sabemos medir o risco, e que portanto, precisamos de uma entidade paternal a vigiar cada cêntimo no nosso bolso porque, se o controlo nos for devolvido, o país inteiro implode numa qualquer tarde de compras impulsivas.
Esta crença permanece tão forte que basta sugerir que o Estado pode não nos amparar em tudo, para que imediatamente se instale o pânico. Vivemos numa sociedade que teme, não a crise, mas a própria liberdade. Estranho, não?
Meus caros e minhas caras, a incapacidade de poupar não é genética, é ensinada!
A ausência de disciplina não é um traço cultural, é um sintoma. A dependência do Estado não é proteção, é comodidade. E qualquer sociedade que escolha a comodidade sobre a consciência está, inevitavelmente, condenada a repetir o ciclo de fragilidade, onde um simples imprevisto se transforma em catástrofe porque não há mão firme para nos guiar.
O mais irónico em tudo isto é que celebramos a autonomia em todas as áreas da nossa vida, menos na financeira. Construímos carreiras, negócios, enfrentamos crises profissionais e sociais com uma resiliência realmente admirável, mas no que toca ao dinheiro somos crianças assustadas, sempre à espera que o Estado apareça e diga “ok meu menino, está tudo bem, eu trato disso por ti”. Não, não deve tratar! E quanto mais cedo aceitarmos isso, mais cedo vamos poder realmente crescer enquanto sociedade adulta. É tempo de dizer isto com firmeza.
A infantilização financeira não é sustentável muito menos digna. A dependência emocional do Estado não é progresso, é regressão. Continuar a alimentar este modelo é condenar mais uma geração à mesma vulnerabilidade que herdou das anteriores, por isso, quando falo em rasgar este sistema antiquado e preguiçoso, não estou a falar apenas de políticas públicas, falo de um movimento moral que exige que cada cidadão assuma a sua evolução, o seu crescimento, a sua responsabilidade. Falo de um imperativo de crescimento que começa no indivíduo e só depois se poderá traduzir na sociedade. Falo de maturidade, de lucidez, de Coragem!
Porque a verdade, dita sem adornos, é que a liberdade financeira é um dever.
O Vício Nacional da Dependência
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Doutorado em Administração de Empresas | Consultor e Formador | Fundador da MindsetSucesso | Investigador em Sucessão Empresarial, Liderança no Feminino e Desenvolvimento de Talento














