Robert Francis Prevost (Papa Leão XIV) deve ter sofrido uma espécie de “trambolhão” no dia em que foi escolhido para exercer o papel de chefe da Igreja e presidente do Estado do Vaticano, ocupando a cadeira deixada vaga por um Homem de difícil substituição: Mário Bergoglio, no papel de Papa Francisco. Acredito que não será fácil, para si próprio, dar continuidade à linha de procedimento adoptada pelo seu antecessor, e a cujos apreciadores Leão XIV não quer desiludir.
Embora cada chefe, de qualquer organização, deva ser “igual a si próprio”, não copiando ninguém – uma cópia nunca é boa escolha – no caso do Papa Francisco ninguém tem dúvida de que os olhos de todo o mundo estão colocados sobre Leão XIV, tanto os enaltecedores de Bergoglio, que esperam ver em Prevost um seu sucessor na continuação do caminho encetado por Francisco, quanto os seus opositores, que esperam um Papa menos assertivo (menos humano do que Bergoglio), mais beato e ligado ao mofo dos pergaminhos que fazem a História da Igreja Católica, na esperança de um retrocesso na linha de conduta social, agradando à extrema-direita que insultava Francisco apoucando-o de comunista… (se acaso tal palavra é sinónimo de insulto ou menos valia!…).

Logo após a escolha de Robert Francis Prevost (cardeal norte-americano também com nacionalidade peruana) para assumir o papel de Papa com o nome de Leão XIV, Trump manifestou vontade de o receber na Casa Branca… porém, continua à espera. Para Trump – um narcisista inveterado que se arvorou em candidato ao Nobel da Paz fazendo guerra – ter na figura do Papa um amigo, e receber Leão XIV na Casa Branca, seria a cereja em cima do bolo!…
Neste momento o Vaticano teme que o conflito protagonizado por Trump e Netanyahu acabe por ser transformado numa guerra religiosa. Por isso Leão XIV não se cansa de chamar a atenção para a paz, tomando uma posição cada vez mais contra a Casa Branca, num choque que nunca foi explícito e que o Papa trata de evitar desde a sua eleição há cerca de um ano.
Nesta contenda ouvem-se vozes religiosas dos “aiatolás”, constantemente apelando a Deus para que lhes dê uma vitória sobre os EUA e Israel, tal como Netanyahu apela a Deus nas suas citações bíblicas, ao mesmo tempo que no escritório Oval da Casa Branca, Trump e os seus bonequinhos de pelúcia da “América Grande Outra Vez” transformada numa espécie de “religião evangélica” sustentada em arco pelo secretário de defesa dos Estados Unidos Peter Hegseth, ex-militar que combateu no Iraque e no Afeganistão e decora o corpo com tatuagens evocando as Cruzadas!
Para além desta imagem perfeitamente parva (dada a distância no tempo e as realidades políticas de cada época) Hegseth destacou, numa entrevista, o valor da fé cristã nesta guerra (!) juntando mais gasolina na estúpida fogueira da fé. Por sua vez, o porta-voz republicano Mike Johnson, também disse, há cerca de duas semanas, que “o Irão tem uma religião equivocada”!
Tudo isto faz crescer, com mais evidência, aquilo que pode ser transformado em conflito entre Roma, Washington e o Islão, numa situação de crispação política que não necessita, absolutamente, de extremismos religiosos para afirmar a estúpida guerra que, só por si, a política praticada pelos vários intervenientes, já representa…
Jornalista/Cartunista







