Para quem anda mais distraído o Tratado de Tordesilhas foi um acordo no ano de 1494 entre Portugal e Espanha, mediado pelo Papa, que dividiu o “mundo descoberto e por descobrir” por um meridiano a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, concedendo as terras a leste de Portugal e as Oeste, à Espanha, assegurando a Portugal a faixa do Brasil e a Espanha a maior parte das Américas, embora muitas vezes não respeitado na prática.
A vossa atenção para “mundo descoberto e por descobrir” tal e qual os tempos nos nossos dias. Trump, já se percebeu, quer dividir para reinar, mas, para isso, tem de lançar confusão entre russos e chineses, sendo que, a China sem disparar um tiro, não tem de se queixar, até ao momento, dos ganhos e a Rússia, apesar de já ter conseguido o que queria… vai tentar chegar mais longe.
Os Europeus, a serem liderados desta forma, ficam como os “xuxadores” profissionais de dedos, sem qualquer ação de liderança. Quem leu a história, sabe que mais cedo ou mais tarde, os Impérios entram em confronto e as sociedades, também. Querem sempre mais.
A alegria que hoje vejo na “direita” será a tristeza do dia seguinte dos mesmos, porque a história é como as marés, vai e vem, e as casas e os territórios de hoje, serão de todos amanhã.
Maduro era um ditador feroz, mas na minha opinião, a Venezuela é a peça de cristal mais frágil do que parece. Destes líderes na EUA, alguns, serão vivos daqui a uns anos e vão questionar a razão disto tudo. Loucos. A China vai avançar para Taiwan; os EUA para a Gronelândia e nós, na Europa, seremos o prémio apetecido. A nossa sobrevivência vai depender, não só da nossa subserviência ao Imperio Americano, mas também da nossa capacidade de lutar contra o Império Russo. Este, infelizmente, vai ser o caminho trilhado e seremos incapazes de o contrariar.
Não sabemos, como europeus, a sensação do dia seguinte. Não sabemos, se daqui a um ano, estamos “enterrados” em guerras que vão empobrecer toda a Europa, por inabilidade dos últimos 20 anos de liderança. Não sabemos, se estas inconstâncias, serão sinais de desenvolvimento ou de atraso em todo o mundo. Mas sabemos que não será benéfico para ninguém, muito menos para os imigrantes portugueses nos EUA.
O maior receio sentido, no dia a dia, de todos é uma guerra na Europa. Impensável há poucos anos atrás. Os sinais estão bem vivos: a semana passada, os EUA confirmaram a maior entrega de armas, de que há memoria, a Taiwan. Eles sabem e nós também que a China não se vai “ficar” …
Analiso a importância das imagens que nos chegam e concluo que o regime venezuelano estava podre e a sua queda, com Trump ou sem Trump, seria inevitável. A Ucrânia e Taiwan são prémios para o emergir nos dois impérios, já que os EUA ficam com o petróleo que a China e a Rússia não querem, na Venezuela, nem precisam e por sua vez, a Rússia fica com os territórios ambicionados da Ucrânia e a China passa a controlar o mercado internacional de chips, que os EUA precisam como “pão para a boca”.
Na verdade, sempre defendi os EUA democrático e nunca imaginei, um dia, ter este cenário. Foram responsáveis pelo nosso abandono das colónias e sempre ouvi os meus amigos criticarem, zangados com isso.
Hoje, sinto-me vivo ao ver que os EUA a quererem voltar a colonizar alguns países que apoiaram a sua descolonização há um seculo atrás, aproximadamente. Um mundo virado do avesso, que mais não será uma trapalhada e uma reinvenção da história. A curiosidade disto é que é defendido, por um tipo, condenado em Tribunal e ainda, com imensas acusações, sem cumprir uma só, ou um só dia de cadeia. Na verdade, isto só acontece porque vive num país condicionado, onde foi condenado por corrupção e manda no maior exército do mundo.
Estamos mesmo numa nova (velha) ordem mundial. Não sei qual será o fim, mas os americanos não mereciam um ditador à frente dos destinos do país. Os novos tempos da globalização ajudaram as pessoas a viverem melhor e os ciclos voltam a surgir para recolocar tudo no inicio.
É uma pena a humanidade não perceber o que é bom e como se deve resolver a maioria das questões, diplomaticamente. O Direito Internacional não existe e os diplomatas são um bando de imberbes para os dirigentes EUA. A ONU está a esvaziar-se e a seguir a NATO, entre outras. Voltaremos aos séculos XVII….Triste com o destino do mundo.

Docente na Atlântico Business School/Doutorado em Ciências da Informação/ Autor do livro ” Governação e Smart Cities”







