Mais uma novela futebolística que chegou ao fim nos últimos dias. Passamos de uma novela cujo protagonista era, sem quaisquer dúvidas, um prolífico marcador de golos e que se destacou pela sua infinda vontade de se juntar apenas ao Arsenal, para outra em que o
protagonista nunca deu grandes certezas do seu futuro, para além do seu potencial e qualidade individual, que como todos nós sabemos, nunca foi demonstrado a 100%.

Antes de tudo, gostava de não ser mal interpretado, sempre me apresentei como um grande fã da qualidade individual que o João demonstrou ao longo da sua carreira, inclusive considero que qualquer pessoa que goste de futebol bonito, também o deve fazer, especialmente olhando para as suas passagens pelo Benfica e pelo Barcelona.
Mas afinal de contas, o que é que terá acontecido? Porque é que tantos fãs ficam frustrados
com as incertezas que este jogador traz? Será esta ida para o Al Nassr um movimento
inteligente, ou uma demonstração de falta de ambição?
Vamos por partes
Em agosto 2018, nasce uma estrela, aproveitado pelo Seixal, João Félix entra aos 71’ num
ambiente hostil, a perder 1-0 contra o Sporting em casa, mas neste momento em que o Benfica tanto precisou, ele entregou, um fantástico golo de cabeça aos 86’ fez com que o Benfica conseguisse sair a pontuar de um dérbi bastante complicado.
A partir daqui, qualidade era a palavra que definia este jogador, terminando a época com 20 golos e 9 assistências em 42 jogos pelo Benfica, destacando-se em grandes jogos como as vitórias fora de casa contra o Porto (1-2) e contra o Sporting (2-4) e até um Hat-trick contra o Frankfurt para a liga Europa. Tudo isto, antes de fazer 20 anos.
A partir daqui é que o paradigma começou a mudar, com aquilo que foi uma venda que, na
minha opinião, não devia ter sido com um valor tão alto. 127.2 Milhões de Euros para o
Atlético de Madrid. A meu ver, começa a espiral descendente na carreira de Félix por duas
razões, em primeiro, a escolha do clube, isto porque o Atlético de Madrid de Diego Simeone
não é propriamente conhecido por ter uma filosofia de futebol ofensivo e de posse de bola no meio campo adversário (sistemas onde Félix sempre foi mais confortável); e de seguida, o preço. A verba de transferência de um João Félix de 19 anos foi mais cara do que
transferências de jogadores como Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Paul Pogba, Jude
Bellingham, Harry Kane, Luís Suárez, entre muitos outros grandes nomes com comprovativos nos grandes palcos do futebol europeu.
No seguimento das épocas, até à atualidade (excluindo a breve passagem pelo Barcelona)
considero que existem duas palavras que definem o trajeto futebolístico deste jogador:
mediocridade e desilusão, palavras estas que não são capazes de justificar uma verba que
ainda hoje é a 5.ª verba de transferência mais alta da história do futebol. Mas porquê? Na
minha ótica só existe uma justificação possível, Mentalidade. Enquanto portugueses, estamos muito mal habituados com o exemplo raríssimo que Cristiano Ronaldo é para o panorama nacional e internacional, não só de futebol, como de todo o desporto. Não podemos estar à espera que todos os jogadores tenham o mesmo nível de resiliência, persistência e ética de trabalho que um dos melhores jogadores da história, e aqui culpo a classe dos empresários e agentes, que vendem sonhos de potencial, em vez de apostas seguras em jogadores com mentalidades vencedoras.
Para rematar, será esta ida para o Al Nassr uma boa aposta? No fundo parece-me que sem ser o Benfica, parecia a única opção, uma vez que mais nenhum clube europeu demonstrou
interesse no jogador, portanto, sim. Para além disso, aos 27 anos, fazer parte da lista de um dos homens mais ricos de Portugal é algo extremamente aliciante. Mas há aqui mais um cenário em que a minha cabeça otimista vai acreditar. O Al Nassr pode ser uma maneira de João voltar a ganhar a sua confiança para regressar aos grandes palcos do futebol europeu, como já se viu noutros jogadores, até porque um jogador com 27 anos, especialmente com aquela qualidade, ainda tem muito para dar ao desporto rei.
OC/JPR
Comunicador e Comentador Desportivo














