Vamos ter novas eleições no espaço de três anos. O país está paralisado pela recente querela com Luís Montenegro, porém, para trás ficou um rol de acontecimentos nada salutares para a nossa democracia.
Convém, ter em conta, que novas eleições podem não resolver coisa alguma. Em novas eleições pode ficar tudo na mesma ou parecido.
E, o pior disto tudo, termos um país ingovernável. Temos que nos preparar para todos os cenários: PSD vence por poucos; PS vence por poucos; Chega sobe bastante e baralha as contas todas; etc.
Tendo em conta as posições extremadas dos beligerantes, vejo muito complicado haver um governo estável.
Luís Montenegro fez uma fuga para a frente, ao apresentar uma moção de confiança, mas pode sair-lhe o tiro pela culatra. Acho muito arriscado preferir eleições a dar explicações sobre a sua empresa e o seu património tardiamente. Deixou crescer a suspeição e os contos e ditos, que é a pior coisa em democracia.
A moção de censura do PCP rejeitada não funcionou como argumento político para renovar a confiança do Governo.
O crescente escrutínio dos bens da família e dos negócios do Primeiro-Ministro levou Montenegro a tentar pôr fim a essa provação.
Haver eleições é um mal menor, é preferível a suspensão da estabilidade política, do que um ano e meio de deterioração e paralisia, até haver novo Presidente da República. Tudo levava a crer que o próximo OE 2026 não passaria no Parlamento.
A forma de esclarecer toda esta situação será com eleições. Se os portugueses deram mais votos a Montenegro não se passou nada e foi tudo uma cabala. Por outro lado, se os portugueses derem mais votos a Pedro Nuno Santos, não aceitam que Montenegro tenha “servido” interesses empresariais privados. E os portugueses estão contra os negócios da sua família.
Uma coisa é certa, não podemos brincar com o país, é necessário um esclarecimento e clarificação política.
A votação da moção de confiança será realizada na próxima terça-feira e vamos ter eleições em Maio.
O grande derrotado disto tudo é Marques Mendes, por tabela está colado ao apoio do PSD. Ganha Gouveia e Melo que assiste do seu palanque à crescente falta de confiança e respeito dos portugueses pelos políticos.
E isso deve-se aos seus exemplos pouco edificantes.
Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores







