Música e poesia no Porto em homenagem a José Mário Branco

As canções ilustram e elucidam momentos vários e representam uma reflexão social e política, um dos exemplos marcantes da canção portuguesa é esta estreita e abarca colaboração entre José Mário Branco e João Lóio que se manteve desde 1974/75. Alguns dos poemas de José Mário Branco foram retirados dos discos “Resistir é Vencer” e “Correspondências”.

Mais artigos

Entre músicas e letras, a colaboração entre ambos foi estreita, tendo produzido temas musicais de excelente qualidade. Muitas das canções não chegaram a conhecer a divulgação merecida o que só por si justificaria esta sessão. As canções foram enquadradas por Hugo Castro, Octávio Fonseca e Armando Dourado. Vozes: João Lóio, João Lafuente, Armando Dourado, José Manuel Gaspar, Regina Castro e Luísa Calado. Poemas ditos por Ana Afonso e Rui De Noronha Osório. Programação: Acúrcio Moniz e Armando Dourado

O Cidadão não poderia faltar a esta sessão no espaço Mira, na Rua de Miraflor, no Porto.

Uma sala repleta, com as  pessoas a testemunheram o passado de uma atividade profícua de duas figuras relevantes da cultura portuguesa.

Foi um alardear de canções que atestam e ratificam, esta relação entre a música e a poesia que a serviu. Ouviu-se: “S. João do Porto” e “Eu queria ir ao Circo” e o declamador Rui de Noronha Osório articulou os poemas “Quando eu for grande” e “Cada dia são Cem”, seguiram-se os poemas “As contas de Deus” e “Canção dos Despedidos”, recitados por Ana Afonso.

As canções “Cantiga de Trabalho”, “O Comboio da Lousã” e “De Mineiro a Morador”, canções que na altura foram interpretadas junto dos trabalhadores, para quem  foram propositadamente criadas. Os poemas voltaram ao palco “Emigrantes da Quarta Dimensão” e “Cantar da Viúva de Emigrante” e alguém da plateia pediu ao Rui que recitasse sem microfone…Ana recitou os poemas “Elogio de Caeiro” e “Do que um homem é capaz” e este magnífico espetáculo terminou com as canções “Quadras do Mês de Abril” e “Todos à Rua”.

Direitos Reservados

O semblante do público que ovacionou em pé não necessitou de mais palavras, pois os olhares representaram perfeitamente o que ia nas almas e nos corações de quem nunca deixou de acreditar na liberdade e do sonho de um dia ver o seu paísl onge das “garras” do fascismo.

No palco as vozes de João Lóio, João Lafuente, Armando Dourado, José Manuel Gaspar, Regina Castro e Luisa Calado, conviveram com o público que tardou em abandonar um dos locais onde a cultura está sempre viva!

 Este espaço em Campanhã já realizou duzentas e setenta e seis exposições, setenta e seis concertos, cento e noventa e uma conversas/tertúlias, cento e quarenta e seis lançamentos/apresentações de livros, cento e cinquenta e quatro performances, oitenta conversas on-line, cinquenta e oito exposições on-line, quatorze conversas sobre mulheres, quarenta e sete passeios fotográficos, vinte e três filmes e conversas sobre cinema, trinta e duas sessões de poesia e trinta e sete workshops.

Afinal no Porto, não há apenas o S. João e as francesinhas…

image_pdfimage_print
- Publicidade -spot_img
- Publicidade -spot_img

Artigos mais recentes

- Publicidade -spot_img