O Alexandre tinha cinco filhos. Ao longo dos anos, foram construindo as suas próprias famílias. Genros e noras, passaram pelas normais situações problemáticas da vida conjugal. Num desses longínquos Natais, ficaram apenas quatro casais à mesa e o viúvo. O quinto casal, sem motivo aparente, simplesmente não compareceu.
No ano seguinte, apenas três filhos e respetivas famílias, vieram confraternizar com o Alexandre e no ano seguinte, a mesa ficou completamente vazia.
O Alexandre, tentou de todos os meios, ao seu alcance, reunir a família no Natal, mas nada conseguiu… (nunca percebeu a razão da debandada da filharada).
Os anos sucederam-se e a mesa era posta com todas as iguarias, referentes à quadra natalícia e com os lugares dos filhos na mesa, como era hábito. Mas apenas o Alexandre convivia na mesa natalícia.
Um dia, o Alexandre conheceu uma senhora, mais nova que ele dois anos e juntaram os trapinhos!
Chegou o Natal e a Dulce perguntou:
– Alexandre! Porque razão colocaste tantos lugares na mesa e tanas iguarias, se somo só os dois?
– Não te preocupes… Um dia, os meus filhos voltarão!
Passaram-se mais alguns anos e tudo continuava na mesa, ou seja, a mesa posta, com todas as doçarias e todos os lugares dos filhos, dos genros e das noras…
Passaram-se dez anos e no início de Dezembro de 2025, o Alexandre recebeu um telefonema do seu filho mais velho e foi encontrar-se com ele. O filho pediu desculpa, pela forma como ele e os irmão de comportaram ao longo dos últimos dez anos. E, na noite de 24 de Dezembro de 2025, o Alexandre passou o melhor Natal da sua vida.
As lágrimas corriam no seu rosto, quando viu finalmente, os filhos, genros e noras, sentados na mesa que foi testemunha de tantos Natais, passados na dor da solidão.
Músico/Colaborador







